Cannes Lions 2020 | Festival tem questionamentos sobre a sinceridade do marketing social  

24 de Junho de 2020

Grandes nomes da indústria da criação deram continuidade a diálogos francos sobre representação e desigualdade na sessão virtual de discussões Cannes Live

 
Como os consumidores podem acreditar na atual solidariedade assumida por várias marcas com a população negra se ela vem denunciando abusos há gerações? Essa foi a pergunta que norteou os debates entre o advogado dos direitos civis Benjamin Crump, o jogador de futebol americano Malcolm Jenkins, o diretor de ativismo social na Ben & Jerry’s Jabari Paul, o filósofo David Kyuman Kim e a diretora de gestão da agência INTER:SECT Talia Boone.

Essa discussão foi bastante influenciada pela repercussão dos protestos do grupo de ativistas Black Live Matters e assumiu caráter multifacetado. Foram comentadas as injustiças sociais que levaram à grande adesão aos protestos nos Estados Unidos e o papel desempenhado pelos esportes em levar essas questões ao primeiro plano no mundo inteiro. 

Foram traçadas definições dos painelistas do que se espera que as marcas solidárias façam, no plano das ações sociais práticas e financeiras, e não meramente por meio de posicionamentos ou anúncios. 

Nas palavras de Benjamin Crump: “CEOs e executivos precisam empoderar pessoas negras como mediadores em suas empresas.”

A temática da tomada de posicionamento social na indústria da criação foi retomada sob outra luz na roda de conversas “Better Living Through Advertising”.
 

Diversidade
Nesse painel, foi discutida a importância de empresas e agentes do ramo publicitário não apenas contarem histórias que espelhem a sociedade, mas que projetem o que aspiramos que ela seja num mundo culturalmente diverso. 

A conversa foi conduzida por Jian Deleon, diretor editorial do site Highsnobiety, que explorou os trabalhos e as vivências do artista visual Adeshola Makinde e do diretor cinematográfico Emmanuel Adjei, dentre outros trabalhos, responsável pelo clipe “Dark Ballet”, de Madonna.

Também participou da discussão Leila Fataar, fundadora da agência Platform13. Ela argumentou que muitas grandes agências conduzem campanhas e ações publicitárias sem perceber nuances importantes para as pessoas a que as comunicações se direcionam por não trabalharem com essas pessoas na criação. 

De acordo com Fataar, “não se trata de incluir as pessoas no final, elas precisam estar lá no estágio da concepção de ideias.”

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