Sir Martin Sorrell “aparece” e comanda conversa com CEO do Burning Man

21 de Junho de 2019

Fundador da WPP, foi demitido da empresa por uso de dinheiro da WPP "para fazer outras coisas"

Imagens por Kat Senkyrova

Um dos eventos mais interessantes em Cannes Lions na edição 2019 envolvia não só um bom assunto, mas também a personalidade que faria a entrevista. A conversa de Sir Martin Sorrell com Marian Goodell, Chief Executive do Burning Man, festival de artes e contracultura realizado no deserto de Nevada, Estados Unidos, foi um dos pontos mais interessantes da semana.

O burburinho cercando Sir Martin – como é chamado – foi grande durante o evento, inclusive gerando um acompanhamento de suas atividades durante todos os dias na Riviera Francesa. A razão para isso foi a queda em desgraça depois de ter sido acusado de ter usado dinheiro da WPP ‘para fazer outras coisas’ e cometer bullying no ambiente de trabalho usando sua posição de CEO.

Isso fez ele sair do gigante grupo em 2018 e tornar-se infame no meio publicitário. Ele foi até apelidado de Invisible Man (Homem Invisível) em Cannes, já que depois de anos sendo uma das estrelas, agora ele até compareceu, mas ficou nas sombras.
Ajudou também na criação do apelido que o seu sucessor, Mark Read, teve os holofotes virados para si nos eventos organizados em Cannes.
Sua chance de aparecer mais foi justamente na conversa desta sexta. No programa estava prevista uma conversa sobre a “história e desenvolvimento do Burning Man, os desafios e as oportunidades que ele encara e como o festival se adapta ao movimento cultural global”. 
“Nossa indústria, os serviços de publicidade e marketing estão passando por uma grande disrupção. Pode ser por causa das plataformas tecnológicas, as consultorias ou os clientes ganhando o controle de volta. E todos os dias vemos os sintomas dessa pressão, com comportamentos irracionais das maiores empresas”, disse Sorrell, que propôs a instituição da disrupção criativa e a reconstrução disruptiva.
O Burning Man fascina todos os anos pela velocidade e estrutura que é construído no meio do Black Rock Desert em Nevada (estado onde está Las Vegas). Mais de 70 mil pessoas comparecem ao local para um festival que não tem nada a ver com nenhum outro mainstream.
A organização entrega um tema – o de 2019 será metamorfoses - e o público está completamente liberado para se expressar como achar melhor. Um dos 10 princípios do festival é a “Inclusão Radical”, com nenhum pré-requisito sendo pedido/exigido para participar do Burning Man. 
E esses princípios ficaram claros na fala de Goodell: “nós não estamos aqui para dominar a cultura com as mãos. Estamos aqui para ver as coisas acontecer e fazer ajustes”, disse.
A ligação de Sorrell com o festival já tinha acontecido antes. Com o lançamento da S4 Capital, uma companhia de investimento criada pelo executivo depois de sua saída complicada da WPP, uma foto do festival era a capa de um documento que explicava a ideia da empresa: “(criar) uma nova solução de mídia new-era que abraça os dados, conteúdo e novas tecnologias”.
Independente de estar sumido ou não, Sorrell quer continuar relevante no meio e deve seguir aparecendo em Cannes e eventos da indústria para trazer suas convicções.