CANNES 2019 | Entrevista com André Kassu, sócio e diretor de criação da CP+B Brasil 

20 de Maio de 2019

Kassu julgará a categoria Industry Craft

 

Como faz há 7 anos consecutivos, o AcontecendoAqui está publicando uma série de entrevistas com os brasileiros selecionados para o corpo de jurados do Cannes Lions Festival que será realizado de 17 a 21 de junho de 2019 na cidade de Cannes, França. 

Hoje, a entrevista é com André Kassu que começou sua carreira na Artplan. Depois, trabalhou por 8 anos na F/Nazca S&S. Em 2008, foi para a AlmapBBDO, onde exerceu o cargo de diretor de criação por 2 anos. Hoje, é sócio da CP+B Brasil, uma agência que teve sua operação iniciada em 2014, ao lado de Vinicius Reis e Marcos Medeiros; este, sócio dupla.
Conquistou o GP de Press e foi o redator mais premiado de Cannes em 2010. Entre os prêmios, estão mais de 40 Leões de Cannes. Além disso, soma prêmios nos principais festivais internacionais, D&AD, One Show, GP do London Festival e El Ojo. 
Em apenas 4 anos de operação, a CP+B Brasil foi a 1ª agência mais bem avaliada por seus clientes, a 1ª agência mais percebida como integrada do país, e André Kassu é o publicitário mais admirado pelos profissionais de agências, segundo o AGENCY SCOPE. Nesse pouco tempo, a CP+B Brasil tem clientes como Stella Artois, Bohemia, Bauducco, Grupo 3 Corações, Mondelez (Tang, Halls), Smirnoff, Johnnie Walker, Ypióca, Even, Embraer.

 

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2018? 

Eu tinha uma sensação que era um convite que não chegaria mais. E isso trouxe uma surpresa grande. Fico feliz, é uma parte da trajetória da carreira importante, mais um ciclo. Vou para Cannes com a tranquilidade de não ter uma pressão da rede para buscar resultados. E com a curiosidade de quem tem muito o que aprender.

 

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo? 

É muito difícil prever. Já estive em júri que a predominância era uma briga entre dois jurados e, de certa forma, foi engraçado de acompanhar o desenrolar dos embates. Já estive em júri em Moscou em um festival local com criativos de diferentes lugares do mundo. O que há em comum é que você nunca sabe o que vai encontrar, você se surpreende com os olhares diferentes, você fica amigo de quem menos esperava e, ao fim, descobre que os problemas de aprovar uma ideia não são exclusividade sua.

 

O Festival passou por uma grande reformulação nas 3 últimas edições. O que você poderia citar sobre essas mudanças e o que será avaliado em Industry Craft, Categoria que você vai julgar? 

O Festival tem feito um papel muito importante: auto-crítica. E era necessário. Gosto do questionamento, faria uns tantos outros, mas acho que eles estão nesse caminho. Sobre Industry Craft: é uma categoria que já sofre um processo muito grande de filtragem na própria inscrição. A palavra craft faz com que você gire em torno da peça muitas vezes antes de inscrever. Você pensa: será que isso é craft mesmo? Logo, o que espero é esse refinamento e as peculiaridades do significado de craft para cada país.

 

Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer Cannes neste ano. 

Estamos enviando trabalhos de diferentes clientes, em diferentes categorias. Trabalhos que saíram de jobs da mesa, que mesmo que não ganhem nada, nos orgulham pelo que trouxeram de resultado para os nossos clientes. Não vou apontar um. É saia justa demais. Posso fugir dessa, né?

 

O que é mais importante em Cannes? Ganhar um leão, palestras, conhecer pessoas? 

O mais importante é o aprendizado. E ele pode acontecer onde menos se espera. Já entrei em palestras promissoras e saí na metade. Em contrapartida, já entrei em algumas sem esperar nada e saí empolgado. Já ganhei Leões que nada acrescentaram na minha carreira e já perdi com ideias que foram muito mais relevantes. Já me decepcionei com grandes figuras da propaganda em conversas, mas já tive a honra de encontrar o John Hegarty na entrada de um restaurante, ele puxar assunto e falar e ouvir com a atenção de uma longa amizade.

 

Por que o Brasil valoriza tanto Cannes? Um dos países com maior número de inscrições, visitantes e Leões. 

Brasileiro adora glamour, prêmio e festa com open bar. Cannes reúne tudo isso. Mas fora esse olhar mais ácido, Cannes pode ser um trampolim para uma carreira no exterior (e convenhamos que há muitos brasileiros querendo sair do País), pode certificar um caminho da sua carreira, pode ser uma ferramenta de propostas e até de promoção. Isso falando do ponto de vista pessoa física. Para algumas agências, é um momento de apresentar a criatividade represada. Para outras, um momento de coroação do trabalho. Para as marcas, o entendimento do que está acontecendo de inovador na categoria, um motivo a mais para apostar em criatividade, uma fonte importante de inspiração e provocação.

 

O que não falta na sua bagagem para Cannes?

Óculos e bermuda de natação. Nadar perto do Palais é uma superstição que divido com o meu amigo Dulcídio Caldeira.