Cannes Lions | Entrevista com Gabriel Araujo, VP de Criação da Ketchum e da Little George e Jurado da Categoria PR

14 de Junho de 2017

Gabriel Araujo é VP de Criação da Ketchum e da Little George, um profissional focado em comunicação integrada, com uma carreira premiada abrangendo diversas categorias de marca. Como diretor criativo, liderou as equipes criativas de agências de médio e grande porte para garantir a entrega de criatividade, estratégia e inovação que refletem a necessidade e velocidade exigidas em nossa indústria de publicidade, digital, pr e mídias sociais.

 

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2016?

Primeiramente estar no júri do Cannes Lions é uma vitória e uma grande honra. Acho que todo profissional de  propaganda sonha em estar lá e ter a oportunidade de ver o que há de melhor na propaganda mundial e principalmente o que há de disruptivo e que vai abocanhar muitos leões do lado de dentro do júri. A minha escolha mostra renovação. Sou um criativo publicitário  atuando e misturando técnicas da publicidade, com digital e PR e isso tem dado certo, agora, vou poder usar o mesmo critério para julgar a minha categoria.

Você já esteve no Festival várias vezes. O que ele agrega para quem vivencia a semana no Palais?

Comecei a frequentar o festival faz alguns anos, mas acompanho desde sempre. Acredito que é o lugar certo para vivenciar o que vai ser tendência e ter as melhores e mais relevantes conversas da sua vida. Acredito que o festival tem um fator democrático onde o profissional mais admirado do mercado está disponível para ouvir alguém que está começando e ambos vão tirar dessa conversa um aprendizado valioso que vão aplicar em suas vidas e carreiras.

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com jurados de diversos cantos do mundo?

Na minha categoria eu acredito que o jurado tem que tentar enxergar além do trabalho de PR tradicional, que  ficou no passado na minha opinião, e olhar para os trabalhos que vão dar o drive de futuro para o Mercado, tanto nas ideias quanto na forma de realiza-las. 
Eu espero encontrar trabalhos que estão misturando essas técnicas e trazendo as melhores experiências para os consumidores, afinal, esse é o papel da agência e de todos os criativos. Em relação a categoria em si, acredito que a publicidade está mais madura em alguns pontos e o PR mais maduro em outros. Porém, acredito que as verbas ainda são muito diferentes. Em publicidade estamos acostumados a trabalhar com verbas enormes e em PR tive que me acostumar a trabalhar com verbas mais tímidas. Mas aí também está o desafio de ser mais criativo, porque com uma verba menor você tem que ser cirúrgico e fazer acontecer com a ideia e não com a freqüência em que ela vai aparecer. 
Num geral, Eu espero encontrar uma grande troca de ideias, muito produtiva, para que a gente consiga premiar o que realmente há de melhor na categoria. E, claro, usar muito critério para ajudar o Brasil a ter um ótimo desempenho.

 

De 3 anos para cá, o que você poderia citar como grandes mudanças no Festival e o que será avaliado em PR LIONS,  Categoria que você vai julgar e que o Brasil ainda está devendo?

Acredito que de 3 anos para cá o Festival se adaptou e se tornou ainda mais relevante para a indústria da propaganda, com a criação do festival de entretenimento, health, innovation, etc. O que é tendência está no festival e é o que a industria vai seguir para o próximo ano.

Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer Cannes neste ano.

Posso citar uma ação criada e realizada aqui dentro da Little George, onde criamos a primeira coleção de livros do mundo que leva repelente em suas páginas, além de também oferecer repelentes dentro de giz de cera e nas fibras do tecido de uma capa de super herói. Essa é uma campanha social que criamos para a Ananse, empresa especializada em microencapsulamento, que tem gerado grandes resultados para marca, não só com awareness mas principalmente resultados em vendas e fechamento de novos negócios. Acredito que através de um raciocionio full service baseado em inovação podemos entregar experiências relevantes para os consumidores e torna-las muito maiores para as marcas.

6) Como as agências locais podem se inspirar em Cannes e trazer resultados inovadores aos seus clientes?
As agências locais tem que acreditar que elas tem potencial para não apenas entregar um trabalho inovador como ganhar um leão em Cannes. É na adversidade que você tem que ser criativo, que você tem que acreditar e fazer a diferença. Fazer com muito recurso é fácil, fazer com pouco recurso é criatividade.

7) Você já ganhou algum leão em Cannes? Isto gerou algum resultado para a agência além do prêmio?
A Little George ainda não ganhou um leão, mas já ganhamos Clio, PR Week, FEPI e acabamos de ser campanha do ano no Sabre Awards. Prêmio sempre gera resultado para a agência. Em termos de imagem é um resultado intangível e em termos de novos clientes são resultados reais que nós vamos colhendo dia a dia.

8) O que é mais importante em Cannes? Ganhar um leão, palestras, conhecer pessoas?
Tudo é importante. Consumir o festival é importante, se abrir para troca de ideias, para ouvir, para dar opinião, mas claro que sair com um leão é o sonho que se renova ano a ano.

9) Porque Cannes Lions faz tanto sucesso?
Porque é o festival mais relevante da industria da propaganda. Existem outros festival muito importantes, mas esse é o pai de todos.

10) O que não falta na sua bagagem para Cannes?
Bermuda, óculos de sol e boné. É europa mas é um calorão. 

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