Cannes Lions | Entrevista com Bruno Prosperi, Diretor Executivo de Criação da AlmapBBDO e jurado em OUTDOOR

12 de Junho de 2017

Bruno Prosperi começou a sua carreira no Rio de Janeiro como diretor de arte, ao mesmo tempo em que se dedicava à graduação em Comunicação Visual. Em São Paulo, passou pelas agências Leo Burnett e F/Nazca Saatchi & Saatchi até chegar à AlmapBBDO em 2006. Na agência, começou como diretor de arte, tornando-se, em pouco tempo, Diretor Executivo de Criação. Ao longo de sua carreira, desenvolveu inúmeras campanhas para marcas como Havaianas, Visa, Volkswagen, Audi, Pedigree, Pepsi, InBev, entre outras. Bruno soma 69 Leões no Festival de Cannes, além de vários outros prêmios conquistados em festivais de publicidade ao redor do mundo, como One Show, D&AD, New York Festivals, Clio, London Festival, El Sol, FIAP, CCSP, Profissionais do Ano, Wave, Prêmio Abril, entre outros. Desde 2013, Bruno tem figurado no ranking dos diretores de criação mais premiados do Festival Cannes. Em 2016, quando ajudou a liderar a AlmapBBDO a conquistar o título de Agência do Ano, Bruno alcançou o primeiro lugar no ranking. No mesmo ano, ele foi reconhecido pelo The Big Won como o segundo melhor Diretor Executivo de Criação do mundo.

 

Quantas vezes você participou do Cannes Lions e quais prêmios conquistou no Festival?

Vou a Cannes desde 1995, quando ainda trabalhava no Rio de Janeiro. Ao todo, já tive a honra de conquistar 69 Leões no Festival de Cannes.

Qual é a sensação de ser jurado da Categoria OUTDOOR, uma das mídias que Brasil sabe fazer muito bem?

Já participei como jurado em alguns festivais internacionais mas essa é a primeira vez que irei julgar Cannes. Confesso que deu um friozinho na barriga mas, ao mesmo tempo, uma enorme alegria de poder fazer parte. Fiquei feliz demais em ser escolhido como jurado em outdoor, uma categoria sem fronteiras, que aceita vários formatos de idéias.

Na sua opinião os publicitários brasileiros já dominam as técnicas disponíveis na nova mídia exterior?

Como já ressaltei, outdoor é uma categoria que aceita vários formatos de ideias. Do simples poster estático a ideias complexas como a que ganhou GP ano passado (Brewtroleum). Acho que os publicitários brasileiro dominam a principal técnica: ter grandes ideias.
É claro que o uso de tecnologia aprimorou muito essa categoria. Mas qualquer tecnologia só vai ser relevante se estiver a serviço da ideia.
Caso contrário, ela ficará obsoleta em pouco tempo. O fato é que este meio vem permitindo cada vez mais pensar completamente diferente.
Portanto, surpreender é a palavra chave e tem tudo a ver com o nosso jeito de pensar.
 

Qual a sua expectativa sobre a performance do Brasil neste ano ao longo do Festival?

Em 2016, Brasil conquistou 18 Leões, sendo um de Ouro, três de Prata e 14 de Bronze.
Em 2015, foram 22. E em 2014, 10. Ou seja, não existe uma consistência.
Mas tradicionalmente, o Brasil sempre vai bem nessa categoria. E espero que esta tradição se mantenha. Tenho um mês pela frente para estudar. Como venho julgando alguns outros festivais internacionais, isso já ajuda bastante. Apesar de saber que Cannes costuma ser a estreia de muitos trabalhos nas premiações. Como jurado de outdoor, onde se passa cinco dias trancado com tantas outras pessoas novas ao seu convívio, é melhor ouvir mais do que falar. E defender apenas as peças que considero boas e pertinentes.
É importante conhecer a peça que você vai defender.
 
 
De 3 anos para cá, o que você destaca como grandes mudanças no Festival e o que será avaliado em OUTDOOR?
 
Ainda não recebemos uma carta formal do presidente do juri mas, na minha opinião, outdoor é um canal amplo e emocionante, sempre mudando e se adaptando. É cada vez mais difícil ter a atenção dos consumidores. As pessoas estão hipnotizadas pelos seus celulares, com os olhos baixos, absorvidos em sua própria bolha. Precisamos encontrar as ideias que rompam e levantem os olhos e a atenção destas pessoas.
Devemos procurar execuções autênticas, originais e com uma ideia extraordinária.
 

Qual é o aprendizado que você espera ter com os colegas de seu Júri?
 
Acredito que esse ano, vamos ter uma oportunidade inédita em Cannes. O festival diminuiu o número de jurados por categoria. Não será mais um grande batalhão discutindo e julgando por 5 dias. O que tem tudo para ser uma experiência ainda mais rica. Afinal, não devia ser fácil interagir com tantos jurados e saber como pensam. Isso por si só, já vai ajudar bastante na hora dos debates com os colegas do juri.
 

Cite um grande trabalho que a Almap vai concorrer em Cannes neste ano.
 
Nosferatu - The Non Silent Film.

Getty Images é referência no mundo quando o assunto é, obviamente, imagem. Mas quando se trata do banco de sons de Getty, a situação não é a mesma. Nosso desafio era divulgar a variedade de sons e músicas do pouco conhecido acervo sonoro de Getty Images. E reforçar o quanto ele pode ser útil para produtoras de som, de cinema e outros potenciais clientes de Getty Images. Mais do que mostrar a variedade de sons e músicas de Getty Images, decidimos provar. Para isso, escolhemos um filme mudo de 1922, com direitos autorais liberados, e criamos todo o seu som do zero.
O sound design, a trilha sonora, as vozes, os efeitos, o clima de terror, tudo. E transformamos o clássico filme mudo Nosferatu em “Nosferatu – The Non Silent Film”. Criar todo o som de um filme é geralmente um processo longo e complicado. Neste caso, foi um pouco mais, já que um intenso processo de pesquisa se fez necessário. Mas o resultado deixou a gente muito orgulhoso.
 

Como as agências locais podem se inspirar em Cannes e trazer resultados inovadores aos seus clientes?
 
Cannes é mundialmente reconhecido como a excelência criativa em comunicação. É um grande encontro de líderes do mercado mundial, de empresas de todas as areas vitais da nossa industria e claro, de grandes marcas. Sempre apresenta ao mundo as novidades e inspirações atuais na publicidade mundial. Além disso, traz seminários com pessoas renomadas e convidados especiais, igualmente inspiradores. Dito isso, acho importantíssimo assistir e participar do festival. Como fonte de inspiração, referências e tendências da nossa industria, Cannes é um evento único no nosso mercado.

 
O que não falta na sua bagagem para Cannes?

Espaço. Sempre vou com a esperança de trazer um Leão de volta na mala.

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