Jurados Brasileiros em Cannes | Entrevista com Tadeu Jungle, sócio da Academia de Filmes

01 de Junho de 2016

Jungle dirigiu mais de 500 filmes publicitários, além de 3 longa-metragem

Dando sequência à série Jurados Brasileiros em Cannes, hoje apresentamos nossa conversa com Tadeu Jungle  que é diretor e roteirista de Tv, Cinema e Publicidade. Ele será jurado na categoria estreante Entertainment Lions.

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados do Cannes Lions 2016?

É um grande desafio. A sensação de fazer parte dessa equipe de feras da publicidade e poder representar o Brasil é ótima. Fico feliz em poder contribuir para o diálogo sobre os novos caminhos da publicidade, que é para onde apontam os trabalhos de Entertainment, categoria na qual sou jurado.
 

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?

Acho valiosa a experiência tanto pela possibilidade de assistir coletivamente aos trabalhos indicados, quanto pela discussão com os demais membros do júri até chegarmos a um resultado comum sobre as melhores peças. Participar de uma equipe que tem representantes de China, Austrália, Polônia, Estados Unidos, França e Brasil, entre outros, julgando trabalhos feitos do oriente ao ocidente é no mínimo curioso. Quero tentar entender também onde se quer chegar fazendo essa Nova Publicidade que é o Entertainment. Quero saber se está mais pra caça aberta ao Leão ou se se tem um Norte na procura real de novos caminhos para um melhor comunicação (por um mundo melhor, sem ser ingênuo e nem piegas).

Prêmio é só para o ego do criativo ou pode agregar valores para as agências?

Com certeza agrega valor para as agências e para os criativos por trás das ideias premiadas. Seja em Cannes ou em qualquer outro festival, ganhar um prêmio valoriza profissionais e alavanca carreiras. No caso das agências, aumenta o valor de mercado e se torna diferencial na conquista de novas contas. Por isso acho importante a “fair competition” com trabalhos reais competindo com trabalhos reais.
 

De 3 anos para cá, o que você poderia citar como grandes mudanças no Festival e o que será avaliado na estreante ENTERTAINMENT LIONS,  Categoria que você vai julgar?
 
Nos últimos três anos, o festival tem acompanhado as transformações na dinâmica do que antes chamávamos apenas de publicidade. É interessante como se mantém preocupado em reconhecer inovação e tecnologia como áreas estratégicas para a comunicação das marcas, em especial no que concerne à individualização e personalização das mensagens. Aliás, o investimento das marcas em conteúdo se mostra cada vez mais eficiente na comunicação, tanto que Cannes criou uma premiação especial para esse reconhecimento em 2016. Isso mostra um entendimento profundo dos organizadores sobre o consumidor que, hoje, não é mais passivo, mas acessa o que quiser num clique e com interação. O mundo não só muda rápido, mas muito mais rápido do que as previsões foram capazes de alcançar. Como estamos a cada dia mais conectados, a quantidade de informação disponível cresce geometricamente.
 

Cannes é só prêmio ou agrega também outros valores aos profissionais?

Nenhum prêmio sério pode ser encarado como apenas mais um. Trata-se de reconhecimento de trabalho, doação de tempo. Com certeza, é um resultado importante para qualquer profissional na indústria criativa.
 

Cite um grande trabalho da sua produtora que vai concorrer Cannes neste ano.

Minha produtora tem trabalhos inscritos em diversas categorias do festival. É claro que os cases com participação da Academia de Filmes, da qual sou sócio, não serão julgados por mim. O presidente do júri de Entertainment nos pediu para não citar cases neste momento.
 

Como as agências locais podem se inspirar em Cannes e trazer resultados inovadores aos seus clientes?

Cannes é uma fonte importante de referências para todo o mercado por sua curadoria, e elas, naturalmente, também têm valor para agências locais. Para inovar, é preciso saber o que mercados mais maduros que o nosso já criaram. E aposto muito nessa nova categoria de Entertainmet como um sólido passo para o futuro da comunicação audiovisual. Conteúdo digital, ações analógicas, games misturados com informação... O bicho tá solto.
 

O que um leão em Cannes agrega para uma agência? Pode gerar mais negócios?

Ganhar um leão é ter um reconhecimento importante de um longo trabalho. É natural que este reconhecimento se reverta em geração de negócios. As consequências são aumento do valor de mercado e qualificação do perfil criativo, que se torna um diferencial na prospecção de novas contas. Agora um Leão de Entertainment deve fazer o cara ficar no topo da nova tendência.
 

Você já ganhou algum leão em Cannes? Isto gerou algum resultadopara a produtora além do prêmio?

No ano passado, o case Mães Seguranças, que a Academia de Filmes produziu para Ogilvy e Sport Clube do Recife, levou cinco leões, além de três Clios e cinco lápis no D&AD. Esses prêmios elevaram a percepção do mercado em relação ao nosso talento criativo e trouxeram resultados relevantes na prospecção de novos trabalhos.
 

O que é mais importante em Cannes? Ganhar um leão, palestras, conhecer pessoas?

As coisas têm importâncias diferentes. As possibilidades que Cannes oferece são únicas justamente pelas combinações. A experiência não se resume apenas a prêmio, network ou conteúdo. É inspirador ver e ouvir o que têm feito os protagonistas da melhor publicidade do mundo. Eu adoro as palestras. Pena que neste ano parece que vamos ficar julgando 10 horas por dia e não sei se vou poder assistir a alguma! 

Porque o Brasil valoriza tanto Cannes? Um dos países com maior número de inscrições e também visitantes.

O Brasil sempre foi mestre em se adaptar ao novo e construir o novo. Há muito, nossa criatividade se destaca em Cannes e assim os brasileiros adotaram os Leões. Além disso é hora dos publicitários trocarem a tela do computador e o inverno brasileiro por uma semana de filmes na telona e de sol da Côte D`Azur.
 

Porque Cannes Lions faz tanto sucesso?

Continua sendo o principal evento da publicidade e é uma vitrine mundial para o trabalho de profissionais tanto de agências quanto produtoras.
 

O que não falta na sua bagagem para Cannes?

Disposição e muita curiosidade para ver o que de novo tem sido produzido. Neste ano, também vou levar meu óculos de realidade virtual na mochila.

Tadeu Jungle é um artista multimídia. Trabalhou com fotografia, video arte, video instalações, poesia visual, performance e tem uma carreira estabelecida como roteirista e diretor de cinema e TV. Recentemente mergulhou nas realizações em Realidade Virtual e fez o Rio de Lama sobre a tragédia de Mariana. Jungle dirigiu mais de 500 filmes publicitários, além de 3 longa-metragem, sendo dois docs e uma ficção, Além de criar e dirigir vários programas de TV, todos ligados ao entretenimento. É sócio da Academia de Filmes. 
www.tadeujungle.com.br