Jurado brasileiro Fernando Nobre analisa a categoria Film e a performance do país no Cannes Lions

28 de Junho de 2015

Na manhã deste sábado (27) o Cannes Lions apresentou o resultado do Film Lions. O AcontecendoAqui conversou com Fernando Nobre, VP de Criação da Borghi/Lowe e jurado brasileiro da categoria, sobre as peças participantes, os prêmios do Brasil, e o equívoco em achar que o mercado brasileiro está melhor devido a quantidade de leões conquistados neste ano.

Nobre contou que o presidente do júri, Tor Myhren, CCO da agência Grey, sugeriu que os jurados, ao analisar as peças, não se encantarem apenas pelas ideias, porque mesmo um filme inspirador, sobre um produto genial, pode não ser necessariamente um bom filme.

O jurado disse que no momento há duas vertentes: as peças interativas e inovadoras e as clássicas. A 100, da Leica, Grand Prix da categoria, é um exemplo de campanha clássica, com grande criação, estratégia e execução. Por meio de fotografias, o trabalho mostra os 100 anos da empresa, e esse contexto simples, mas atraente, foi que conquistou o voto de 19, dos 22 jurados.

Quando questionado se essa edição do Cannes Lions era uma "volta por cima", um momento de comemoração para o Brasil, tanto pelo GP quanto pelos leões adquiridos, já que no ano passado a premiação não foi muito boa para o país, Nobre respondeu que é um equívoco pensar dessa forma e acreditar que as premiações são um reflexo da indústria. 

"A gente tem que tomar muito cuidado em achar que mudou alguma coisa por causa do resultado do Brasil neste ano. Não é que não mudou nada, mas peças como 100 da Leica são um ponto fora da curva", afirmou. O jurado destacou que há muitas peças brasileiras inscritas, mas poucas chegam ao shortlist. A solução, segundo ele, é abrir mais a discussão sobre o modelo de negócios, de remuneração, de criatividade. "Se você tiver tempo para fazer, um modelo adequado, orçamento e um roteiro bom, dá para fazer", declarou apontando que o que não falta é criatividade já que muitas campanhas de destaque no prêmio em geral têm integrantes brasileiros na criação. Fernando Nobre comparou essa questão a jogadores de futebol brasileiros que jogam em times do exterior porque lá têm melhores condições. "O problema no Brasil é geral, nosso negócio está tão formatado que o cara começa a não tentar naquele mesmo nível", concuiu.

Confira a entrevista concedida à nossa equipe:

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