Difícil encontrar quem não goste de um curta-metragem. Mesmo as pessoas que não têm paciência para assistir a um longa, não conseguem deixar de apreciar um curta. É um formato que permite experimentação, aprendizagem, prática e ensaio dos diversos gêneros de filmes. Para o espectador do curta o filme tem sempre o gostinho de quero mais e para o realizador é, no mínimo, um instigante exercício de síntese tão desafiador quanto a produção de um longa. Paradoxalmente, é um formato que normalmente esbarra com a falta de meios que promovam o contato com o público. Mas, assim como nos anos Collor, no início da década de 90, foi o curta-metragem que resistiu aos tempos ruins de produção, hoje creio que este formato tem sinalizado para uma abertura e para um bom canal de exibição em relação à cinematografia brasileira. Os inúmeros pontos de cultura criados nos últimos anos em todo país pelo Governo Federal em parceria com as comunidades, parecem encontrar um feed back seja na formação de público ou mesmo na idealização de um outro formato de sala de exibição, juntamente com as TVs Públicas e a internet, o curta está encontrando uma luz na tela da exibição. Com todo esse processo temos que pensar, aprender e encontrar lugares de vazão para os inúmeros longas nacionais acumulados nas estantes.
Filmes da Maria Emília – Todos os curtas da Maria Emília serão exibidos no Cineclube Ieda Beck, nesta quarta, dia 28/09, às 20 hs. São eles, ALVA PAIXÃO (ficção/24’/SC/1995), RODA DOS EXPOSTOS (ficção/19’/SC/2001), UM TIRO NA ASA (ficção/19’/SC/2005), MULHER AZUL (ficção/20’/SC/2011). Todos esses filmes têm um alto grau de poesia com o dom do olhar da Maria Emília. Valeu Cinemateca!
Fritz e Alfredo – Assisti três vezes o “FRITZ MULLER”, de José Alfredo. Em cada projeção percebi algo novo, diferente e muito positivo. O texto é primoroso, o ator vai muito bem, as locações, a fotografia, enfim… Essa simbiose só acontece com uma boa direção. Alfredo mostrou, como todos sabem, que o texto off pode ser facilmente usado, é verdade. Mas, o mais difícil é usá-lo com precisão e rigor. Muito bom, quero ver de novo!
Paredes – O Edu Paredes é o diretor, ao meu entender, do melhor curta já realizado por aqui, o DESTERRO. É também um dos mais premiados. Todos nós estamos aguardando seu primeiro longa. Arregaça as mãos The Wall!
Pai do Cacau – Um artigo do de Manoel de Menezes escrito em seu livro “Retalhos do Tempo” e me repassado pelo pesquisador Ricardo Goulart sobre O PREÇO DA ILUSÃO mostra que o pai do Cacau sabia muito bem o que estava escrevendo. Preste atenção nestas linhas: “Mesmo sendo uma terra de gente descrente, Armando Carreirão e Salim Miguel resolveram fazer um filme inteiramente rodado em nosso Capital. Muitos achavam graça, como de quase tudo acham. Mas os dois homens não estavam de brincadeira. Queriam era fazer um filme”. Grande Menezes!
Centro Cultural Banco do Brasil – Bem que o Banco do Brasil poderia pensar um pouco mais na promoção cultural fora do eixo Rio-Sampa. Por exemplo, aqui na Ilha, a antiga sede do BESC, hoje do Banco do Brasil localizada na Praça XV poderia se transformar num Centro Cultural aos moldes dos demais existentes no Brasil.
Funcine 22 anos – Semana passada o FUNCINE comemorou mais um niver. Bem que me lembro, há 22 anos atrás, quando eu, o Mário Alves Neto e o Toninho Freitas entregamos nas mãos do presidente da Câmara de Vereadores, Adir Gentil, a lei que o Jair dos Santos tinha trazido do Maranhão e nós adaptamos para nossa capital. Meus cumprimentos a todos que trouxeram o FUNCINE até aqui e fizeram dessa lei uma boa forma de fomentar à produção audiovisual!
PENNA – O nosso amigo Penna Filho venceu mais um edital de longa. Nesse projeto o Penna retoma o tema do seu imagético e premiado NATUREZAS MORTAS, no qual trata da luta dos oprimidos mineiros da região de Criciúma contra a exploração dos mineradores. Uma luta que o Penna tem muito a dizer. Parabéns!
