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Chico Socorro continua recebendo homenagens
02 de Fevereiro de 2006

Chico Socorro continua recebendo homenagens

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02-02-06 ??? Na edição de ontem, dia do publicitário, publicamos uma série de depoimentos endereçados a Chico Socorro, enviados por profissionais de propaganda, cumprimentando-o pelos 50 anos de carreira. Hoje recebemos mais alguns.

Confira:

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Obrigada Chico,

pelo privilégio de poder estar sempre aprendendo contigo. Sou mais uma, das muitas alunas dos teus 50 anos de profissão. Fiquei relmente emocionada ao perceber que muitos profissionais pensam exatamente como eu, pois és, antes de tudo, amigo dos teus amigos e ocupas o lado esquerdo do meu peito para sempre.
Isabel Cavalheiro

Florianópolis-Sc

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Chico,
 
Nada melhor que viver o Dia do Publicitário, aplaudindo um publicitário categoria premium .
 
Grande abraço
 
Kiko Silva
Diretor da TZQG
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Tributo ao jovem velho Chico

por Renato Perracini (*)


Publicidade foi feita para vender.

Vender em sentido amplo: convencer alguém a comprar, transferir, alugar, procurar, devolver. Levar pessoas a fazerem ou deixarem de fazer algo do interesse do anunciante.

Mas, quem venderia a publicidade aos prováveis anunciantes?

Primeiro, tais vendedores foram os próprios fazedores de anúncios. Como os arautos, profissionais de percorrer as ruas berrando versos e canções, recheadas de ofertas mágicas que despertavam desejos e atraiam adesões.

Depois ??? ou talvez antes ou ao mesmo tempo ??? os pintores de muros e placas, os donos das typographias, os editores de livros, folhetins e cartazes.

Redatores de jornais percorriam lojas e fábricas, identificando produtos e serviços que pudessem ser as estrelas de seus textos convincentes, emoldurados por ilustrações provocadoras.

Com o advento do rádio, locutores cultos e de voz impostada, davam a volta ao balcão de seus clientes, provando produtos e serviços, conferindo estoques e criando promoções salvadoras do faturamento mensal.

Logo, estes pioneiros artífices da arte publicitária se transformaram em agentes. Depois fundaram agências de publicidade, onde se aperfeiçoava a arte e a técnica de equilibrar o fluxo de interesses entre produtores e consumidores, entre ofertas, procuras, expectativas e desejos, democratizando bens e serviços, estimulando empreendimentos.

Nas agências, racionalizavam-se as práticas. Poetas, literatos e artistas plásticos profissionalizaram seu talento na elaboração de mensagens. Guarda-livros e contadores buscaram a eficiência financeira. Homens talentosos ??? como o velho Julio Cosi ??? inventaram a mídia técnica, cadastrando jornais e revistas em todo o Brasil, criando a autorização, a padronização de espaços e tabelas. Foram longe e associaram revendedores longínquos e isolados à política publicitária das grandes fábricas, numa publicidade cooperativa.

A agência de um só homem virou agência de muitos homens (e já algumas mulheres, como a pioneira Helena Ferraz, nos anos trinta), de equipes, de departamentos.

E o coordenador de todo esse sofisticado mecanismo continuava sendo aquele velho agente, que sabia tanto do estoque do Cliente quanto das necessidades e sonhos do público consumidor.

Seu nome foi mudando, através dos tempos: intermediário, agente, contato, representante, profissional de atendimento e planejamento.

Ninguém melhor do que ele sabia como diagnosticar os problemas dos Clientes, digeri-los com bom senso, transforma-los em planos de ação e acionar os talentos da agência afim de propor soluções publicitárias originais e eficazes, que realmente predispusessem o público adequado a reagir em favor dos produtos oferecidos.

A História da Propaganda Brasileira ??? quando for escrita ??? revelará aos jovens de hoje os nomes de centenas desses pioneiros, comprovando que talento e criatividade sempre existiram e que o mundo não começou com Bill Gates e Duda Mendonça.

Nossa história está cheia de homens de cultura e talento privilegiados, íntimos da lógica do mercado e da comunicação humana, que já praticavam uma ciência que viria a consolidar-se com o nome de Marketing.

Homens que prestavam a seus Clientes o full service. Que sabiam avaliar, mobilizar e até criar os meios e recursos materiais e humanos necessários e suficientes para realizar o indispensável equilíbrio entre o potencial as expectativas de uma empresa, de um lado, e o potencial e expectativas do mercado, do outro lado.

Homens que encaravam a publicidade como parte integrante do produto. E a comunicação publicitária como um universo harmônico e ilimitado, sem compartimentos ensimesmados em suas próprias especialidades.

Homens aptos a formular planos decisivos, de estimular campanhas vitoriosas mas também capazes a propor ao Cliente corajosas alterações de produtos e métodos.

Homens assim, que fizeram a ascensão e grandeza da publicidade brasileira.

E, à medida que se tornaram raros, desencadearam seu fracionamento em inúmeras agências, com os mais diversos e incoerentes apelidos de marketing ??? marketing disso, marketing daquilo e até marketing de resultados, como se fosse possível existir um marketing que não objetivasse resultados.

Um desses homens ??? legítimo herdeiro da cultura, talento e garra dos grandes pioneiros da publicidade  ???  é Francisco Socorro, que aprendi a admirar por seu trabalho. Por sua perspicácia em diagnosticar problemas. Por sua lucidez em formular soluções, por sua capacidade de coordenar sua realização, avaliar resultados e aperfeiçoar rumos. Por sua permanente preocupação em teorizar a prática e em viabilizar a teoria da ciência mercadológica. Por representar a combinação ideal entre a experiência e bom senso, aliados à originalidade e ousadia. Tudo isso impregnado de sensibilidade humana e amor ao próximo.

Chico é um ícone da Publicidade. Da publicidade em seu sentido mais amplo, universal e ilimitado.

Um exemplo para as novas gerações de publicitários e clientes, inconformados com o imediatismo, o deslumbramento das premiações, a falta de valores éticos, a pulverização e assincronia da atividade publicitária. Angustiados com a crescente predominância do materialismo e do imediatismo. Ávidos por substituir os atuais heróis, produzidos pela fama, em favor de homens construídos a partir do esforço próprio, da razão e da ética. Heróis capazes de entender, aperfeiçoar e comunicar às novas gerações os mais admiráveis valores culturais já conquistados pela espécie humana.

Parabéns, jovem velho Chico, pelos seus 50 anos de carreira publicitária.

E gratos pelo privilégio de termos você ??? pessoa, exemplo e estímulo ??? entre nós.

     

(*) Renato Perracini, jornalista e publicitários de carreira, participou com Francisco Socorro de vários movimentos em prol do aperfeiçoamento e valorização dos profissionais de Atendimento nas agências de publicidade. ?? Especialista em Marketing e Comunicação pela ESPM e Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

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