
Jailson de Sá
Editor
A dimensão humana e os “espaços”, dialógicos para o progresso
Frente a uma inevitável realidade de uma cultura material, a discussão sobre os desejos e necessidades partilhadas comunitariamente, entre membros de uma sociedade técnica, poderiam implementar alternativas para a diminuição de impactos, a falta de recursos e trazer modelos de gestão do conhecimento; levando-nos ao incremento de instâncias inovadoras e motrizes para o desenvolvimento social. Neste contexto a transdisciplinaridade possibilita conectarmos agentes mediadores visando à confluência de conhecimentos, resultando em uma economia cultural e aplicação de saberes. Será inevitável uma ampla comunhão que vise integralizar modelos de agências cooperativas que articulem aspectos de um desenvolvimento sustentável; design, inovação, inserção e inclusão.
A discussão, com o intuito de “registro” aos interesses e desejos gerais, permite-nos aplacar o déficit desestruturador de pertença social, e incita-nos a discussão de vislumbrarmos novas maneiras de fomento e articulação dos setores de gestão pública; quanto à manipulação de recursos que aponte para promoção de uma economia solidária e criativa em emergência. A necessidade de identificação e inserção é crucial para um desenvolvimento sustentável, deslocando a lógica do mercado para a de integração de ações ao enlevo das atribuições destes para o desenvolvimento sócio, econômico e cultural. Vontades, desejos e políticas necessárias, que invariavelmente demandaria crescimento, e que, consubstancialmente retornará em beneficiamento individual, coletivo e corporativo.
Essa proposta vislumbra reduzir o abismo cultural e a assimetria econômica necessários para a inclusão e cidadania em detrimento ao benefício gerador para a democracia de fato e de direito por todos. A iniciativa se vê, e se faz como necessária ao interesse de melhorar a vida em coletividade; o de aprimorarmos nossas instâncias mediadoras, políticas públicas e com a possibilidade de lançarmos possíveis perfis práticos e lógicos para inserção e gestão criativa do conhecimento quanto ao de verificar modelos institucionais por aprimoramento. Almejarmos à ativação de modelos críticos gerenciais para a circulação e vivência de conhecimentos aglutinadores, incrementaria uma política que articule o patrimônio intelectual, criativo, tecnológico e natural. Isto resultaria em sustentabilidade e visibilidade necessária, ao potencial latente do nosso patrimônio cultural, gerador de um traço inigualável, dando oportunidade a manifestação da expressão da criatividade e saberes técnicos; a cristalizar-se sob o élan que dá “vida” aos sistemas de objetos e tecnologias de convívio para o habitat. Primeiro, por meio da valorização e suporte de agentes de cultura frente aos processos de formação social (arte-educação). Segundo através da reflexão quanto aos sistemas de crenças para o mapeamento das capacidades gerais, técnicas e culturais. Terceiro, pela possibilidade de investigação e verificação de estratos, matrizes de linguagens potenciais, através da investigação sistêmica de padrões etnográficos, e por fim, quanto a um posicionamento crítico no gerenciamento e aplicações de pesquisas ao campo da experiência e utilização no cotidiano; saberes em fluxos numa economia projetual local.
A necessidade de instauração de centros ou institutos na forma de laboratórios pautados na vivência de criatividades sistêmicas visa dar dinâmica e ressaltar valores na produção cultural de produtos e signos. O design trabalha na modificação de práticas cotidianas possibilitadas e intermediadas por artefatos materiais, imateriais e semióticos, onde acontece a “reinterpretação da cultura a partir da perspectiva do projeto”, como atesta o teórico do design mundial, Gui Bonsiepe, em seu recente livro: Design, cultura e sociedade. Bonsiepe (2011) fala da intervenção da realidade através dos atos projetuais onde o designer deve explorar o potencial da visualidade, creditando dar identidade ao mundo da imaginação, como artefatos de comunicação e exploração do meio, onde o “humanismo projetual”, seria o exercício das capacidades projetuais para interpretar as necessidades de grupos sociais e elaborar propostas, viáveis emancipatórias, em forma de artefatos instrumentais e artefatos semióticos implicando na redução da dominação, democratizando o design.
Sobre a urgência de como os cenários se comportaram ao explorarem as tendências do indivíduo, segundo um ponto de vista coletivo, o desafio do design é o de vislumbrar o que é realmente patrimônio de direito. Devemos nos atentar para as plataformas de gestão criativa de valores e saberes técnicos para a conformação de um requerido vernáculo próprio, que privilegie o projeto cultural, o “sotaque” afirmando o imenso patrimônio de uma cultura eivada de estratos, de ilocucionários, morfemas e grafemas próprios. Na busca da exclusividade do produto único, revela-se numa origem, que valora uma experiência e reza uma promessa, uma experiência única. O artefato carregaa imagem de um território, portador dos traços e substratos mais genuínos, em conformidade a consistência exata, com que são feitos os seres únicos, conclamados à promulgação de uma autêntica cultura material do design e imaterial do fazer.
Em uma recente exposição de Design em Curitiba: “It´s a small word”, representantes dinamarqueses sugerem uma alternativa mais humana em agregar design, artesanato e arquitetura, formando um núcleo de criatividade de uma sociedade futura. Artesanato e design contemporâneos são caracterizados por ferramentas digitais, pensamentos conceituais e novos desenvolvimentos nas técnicas de artesanato. As práticas não padronizadas abordam o conceito de desenvolvimentos de novas mentalidades em uma sociedade que está saturada com design padronizados e processos que tem se mostrado rentáveis, mas não sustentáveis.
Fomentar a inserção da necessidade sustentável e ambiental no design, de não mais a produção para a inovação do que possa ser efêmero, mas sim ressaltar os pré-requisitos éticos atuais da produção em cultura material, que mantenha um elo que da sustentação e valor ao humano, deve ser uma prioridade nas instituições de ensino e formação profissional. O artefato com seu conteúdo histórico, sua simplicidade e motivo, são expressões e saberes de uma cultura, como a renda de bilro, que pode desaparecer, dado a invariabilidade de permanência. A possibilidade de manutenção e recuperação de uma manufatura como coexistência a um artefato simbólico, e ou as aplicações da própria, como símbolo resgatado no espaço, dão um re-significado na cultura moventes dos artefatos no espaço cultural.
Espaços devem ser criados visando à capacitação prospectiva, criativa na articulação de técnicas, que promovam o incremento de possibilidades e subsistência de habitats diversos, centrados em variáveis lógicas à promoção de espaços públicos dialógicos para instaurar centros de desenvolvimento cultural e social, implicados no desenvolvimento de ambientes de projetos, geradores de novas oportunidades e abordagens conceituais. Sendo assim é possível objetivarmos uma predisposição criativa em favor dos sistemas de objetos no espaço, promotora de marcas territoriais, ambiance, artefatos e tecnologia, instaurando lógicas e processos ambientais “positivadores”. Devemos finalmente estar atentos para a transcendência de um espírito aberto ao desenvolvimento dos elementos que precisam estar almagamados na vanguarda de alternativas de convivência, design, inovação e inserção, impreterivelmente a um olhar autônomo e crítico, frente às dinâmicas das realidades.
