O Futuro do Marketing de Conteúdo | Painel no RD Summit 2019

11 de Novembro de 2019

Vem aí uma geração que não mais terá o poder de escolha

 

Um painel formado por Vitor Peçanha, Rafael Rez e Hale Schneider com Flaubi Farias na mediação tratou do futuro do profissional de conteúdo e do marketing de conteúdo. Os 3 fizeram um comparativo do Marketing Digital de 10 anos atrás com o que se faz hoje em dia. "Nunca previ e nunca quis que as redes sociais se transformassem na internet. Nunca imaginei que os motores de busca iriam ficar tão bons e entendessem os sinais, as intenções, etc.", disse Peçanha. "Muitos brasileiros não acessam a internet fora do facebook, não têm e-mail, no máximo um hotmail e a internet é a rede social deles", destacou Rafael.

Quando o assunto foi o algoritmo, o Panda foi lembrado como aquele que puniu meio mundo, pois havia muito conteúdo feito de qualquer jeito. Outros algoritmos vieram e continuarão vindo em todas as plataformas. E como a gente ganha esse jogo? Produzindo conteúdo mais nítido.

 

 

Comportamento
O comportamento da audiência é algo que temos que olhar cada vez mais para acompanhar as tendências e observar como o consumidor se comporta no consumo de conteúdo. O desafio para a produção de conteúdo é aprender a fazer para os filhos de fazedores de conteúdo. "Quando falávamos de comportamento há dois anos era crescente o interesse em saber como identificar comportamento do consumidor e como usar dados. Isso era muito positivo. Há 2 anos a gente ouvia dizer que as grandes startups do Vale do Silício eram muito diferentes das empresas de Wall Street e que eram empresas do bem. Não é bem o que temos visto ultimamente. Hoje, há mecanismos para pesquisar e identificar perfis, comportamentos do consumidor e criação de conteúdos aprimorados para eles.  Mas é preciso considerar o aspecto da ética hoje no mundo digital. Tivemos há pouco tempo problemas de credibilidade no jornalismo digital nos EUA, com o episódio do Facebook, Cambridge Analytica e Eleições por lá", ressaltou Peçanha. 

 

O poder do algoritmo
Segundo Rafael Rez, é muito importante começarmos a nos preparar para uma geração que não mais terá o poder de escolha. Todo mundo que usa Facebook e Instagram, até mesmo o Linkedin, vive dentro de "bolhas de comportamento". O que quer dizer isso? As pessoas já estão recebendo conteúdo filtrado por algorítimos. "Se sairmos das redes sociais e olharmos o Spotify, veremos que ele já traz músicas da preferência de pessoas que têm hábitos semelhantes aos seus. O Netflix a mesma coisa. Se você acessar o Netflix de algum amigo irá constatar que o dele é completamente diferente do seu Netflix. Ou seja: cada vez mais  as pessoas têm menos poder de escolha.
Quem está acima de 30 anos pertence à uma geração que aprendeu a ter o controle da pesquisa. "A gente ia pro Google buscar o que queria. A gente aprendeu a aprender. A nova geração está sendo treinada a não ter que ir atrás de nada. Ela vai receber em suas buscas aquilo que está nas 'bolhas' criadas pelos algoritmos. Então, cada vez mais, os gostos musicais, a opinião política, interesses por  trabalho serão pautados pelos algoritimos", enfatiza Rez.

 

"As pessoas estão ampliando as perguntas ao Google. Não mais palavras e agora as perguntas variam para conselhos."

 

O bom jornalismo sempre foi garantia de boa curadoria das informações. Essa tarefa, cada vez mais, deixará de ser feita pelos jornalistas e passará a ser feita pelos gatekeeper. O jornalista, tempos atrás, fazia o papel de gatekkeper. Ele apurava a informação, filtrava o conteúdo e publicava para as pessoas. Hoje quem faz isso é um algorítimo. "Cada vez mais temos que nos preparar para conviver com a skynet. Boa parte dos criadores de conteúdo estará desempregada em 10 anos se não aprender a pensar o conteúdo que será escolhido pelas pessoas e vai ter que seguir esses movimentos", destacou Rafael Rez.
 

 

Profissionais de produção de conteúdo
O consumo de conteúdo de marketing é um processo de growth, todos na empresa têm que pensar em growth. Cada vez mais a produção de conteúdo terá que passar por muita  análise, pesquisa, experimentção, ajustes. Muito foco na agregação de personalidade e difereciação nos formatos e conteúdos.
O profissional de conteúdo terá que intensificar seus estudos em torno do comportamento das pessoas, estudar psicologia, neuro marketing. Deverá entender de gente para entender o  comportamento. Ficar olhando para palavras-chave está ficando cada dia mais irrelevante.
Alem de produzir é importante saber distribuir. O mais importante não é o formato e sim a essência dele. Mas vai depender muito do seu time e a qualidade dele em alguns níveis de produção.

 

Humanização
O conteúdo tem que ter personalidade. É preciso haver identificação com a marca. Então, como os profissionais do futuro terão o controle sobre o que funciona com pessoas e qual sua contribuição para melhorar. Quais são os problemas da organização? Como tornar marcas mais humanas? Como identificar qual a melhor representação? 

Os maiores influenciadores em comportamento hoje são os influenciadores digitais, são personalidades, pessoas físicas. Gente se liga com gente. "Você segue o Elon da Tezla, o Eric Santos da RD, o Bill Gates da Microsoft. A gente passou 20 anos sem falar sobre Bill Gates e agora tem um filme contando a história dele no Netflix. Ele continua sendo relevante. A gente se liga nos fundadores das marcas", destaca Rez.

Gente da nossa era sente falta de humanidade, então tudo que desburocratizar tem espaço para quem é criador de conteúdo.

 

Hoje a geração mais nova não liga para privacidade. E aí está um ponto que precisa ser considerado: é preciso treinar essas inteligências.

 

Áudio
O Podcast caiu e agora está subindo e chegando num auge importante, por meio do Spotify e Sound Cloud. O áudio está num momento que mais funciona o teste para conteúdo em cápsula, ganha aquilo que você pode consumir em qualquer lugar e agora começou de novo uma onda que tinha rolado há uns cinco anos que é o podcast filmado. Tem muita gente ouvindo áudio mesmo de vídeos.

 

Multicanais
Conteúdo em 3 linhas de uso: Gerar o vídeo; extrair o áudio; transcrever o texto e distribuir em vários canais como o Spotify, Youtube e sites e blogs. Isso é moderno para o produtor de conteúdo. Ferramentas para tudo isso há e a preços muito baixos. É possível automatizar todas elas para múltiplos canais e é uma coisa que valerá muito nos próximos três anos. Vale a pena testar e testar muito, e buscar mais a partir de uma produção digital. Em vez de produzir muitas peças de baixa qualidade o melhor é produzir poucas e reaproveitá-las nos canais durante muito tempo.
 

As redes sociais têm disponíveis 900 milhões de conteúdo. 1,7% desse volume é responsável por 75% dos compartilhamentos. Isso significa que 98,3% do conteúdo na web está à deriva.