O juiz, a igreja, o anunciante e a escolha de uma agência

27 de Maio de 2013

1. No Ceará, cabaré processa Igreja Universal

Em Aquiraz, no Ceará, dona Tarcília Bezerra construiu uma expansão de seu cabaré, cujas atividades estavam em constante crescimento após a criação de seguro desemprego para pescadores e vários outros tipos de bolsas.

Em resposta, a Igreja Universal local iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração em sua igreja, de manhã, à tarde e à noite.

O trabalho de ampliação e reforma progredia célere até uma semana antes da reinauguração, quando um raio atingiu o cabaré queimando as instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu o telhado e grande parte da construção.

Após a destruição do cabaré, o pastor e os crentes da igreja passaram a se gabar "do grande poder da oração".

Então, Tarcília processou a igreja, o pastor e toda a congregação, com o fundamento de que eles "foram os responsáveis pelo fim de seu prédio e de seu negócio" utilizando-se da intervenção divina, direta ou indireta e das ações ou meios.”

Na sua resposta à ação judicial, a igreja, veementemente, negou toda e qualquer responsabilidade ou qualquer ligação com o fim do edifício.

O juiz a quem o processo foi submetido leu a reclamação da autora e a resposta dos réus e, na audiência de abertura, comentou:

- Eu não sei como vou decidir neste caso, mas uma coisa está patente nos autos.

“Temos aqui uma proprietária de um cabaré que firmemente acredita no poder das orações e uma igreja inteira declarando que as orações não valem nada!”.

 2. Outro dia o Walter Teixelo de Jesus, o melhor produtor gráfico com quem já trabalhei – e olha que só trabalhei com nego bom nessa área – me mandou esse causo que acabo de narrar.

Então, eu me lembrei das agências e da situação delas quando disputam uma conta.

3. Não raro, o prospect recebe o representante da agência e vem logo com esse papo:

“Já ouvi falar de vocês. E gostei do seu portfólio, mas como tenho outras agências se apresentando, quero que vocês me tragam um anúncio sobre a minha empresa.”.

Ou então;

“Aqui está um brief, Criem uma campanha. Se for melhor do que a das outras agências concorrentes, fico com vocês.”

Muitas agências caíram nessa. Dedicam o tempo que deveriam dedicar aos que já são clientes, entregam boas idéias aos prospects e saem de mão abanando.

Um dia, abrem o jornal ou as revistas ou ligam a TV, e vêem, as idéias delas estão lá. De graça.

4. Bem, a ABAP vem orientando suas associadas para que não caiam nessa. Algumas não resistem: a tentação é grande demais.

5. A questão não é apresentar, ou deixar de fazê-lo, uma campanha.

A questão é que fazer uma campanha é o último passo que uma agência deve dar.

Antes dele, há toda uma análise do marketing do cliente, de que forma a agência pode contribuir para corrigir as falhas encontradas, a análise da marca e de como o consumidor a percebe.

Mas claro: pra fazer isso, a agência tem de estar segura de que o prospect não é prospect. É Cliente.

E são raros os Clientes que têm uma metodologia a seguir na hora de mudar de agência, para poder tomar uma decisão com o mínimo de risco.

6. Pois todo anunciante deveria ter esse método na gaveta, pronto para ser utilizado quando preciso – afinal, ninguém  sabe o dia de amanhã. A decisão correta na escolha de uma agência significa menos dor de cabeça. E muito mais lucro.

7. Se não tiver essa metodologia, na hora de escolher uma agência o anunciante se verá na mesma enrascada do juiz da história que o Walter me mandou: achando que todas as agências têm razão.

Eloy Simões