Em quem Acreditar?

09 de Dezembro de 2013

Após a Copa do Mundo de 1970, alguns dos jogadores do Brasil, que ganharam notabilidade, se transformaram em “garotos propaganda”. Gerson, o notável meio campista, conhecido como “Canhotinha de Ouro”, foi um dos escolhidos. O jogador protagonizou a campanha do cigarro Vila Rica, que tinha como bordão “Brasileiro Gosta de Levar Vantagem em Tudo”. Ficou conhecida em todo o país como a Lei de Gerson e passou a determinar um padrão de conduta – ou a expressar um padrão de conduta já existente.

Agora, em 2013, vejo uma propaganda na televisão da empresa de telefonia Vivo em que um casal adentra a lojas dos mais diversos produtos fazendo perguntas estúpidas com a evidente segunda intenção de utilizar-se do sistema de “wireless” da loja por não possuir acesso de dados em seus celulares. Posteriormente, na sequência da propaganda, retornam às lojas, mas quando reconhecidos, afirmam serem portadores de plano que lhes garantem o acesso à internet. Porém, aproveitavam para carregar a bateria de seu aparelho.

Pergunta que não quer calar: a propaganda retrata a realidade de um povo ou antecipa-se a ela, propondo um padrão de comportamento? Deixo esta pergunta para ser respondida pelos profissionais da área. Porém, gostaria de enfatizar fatos recentes que me permitem repetir o título deste despretensioso artigo: em quem acreditar?

Fato 1 – Todos os cardiologistas e nutricionistas recomendam o azeite de oliva extra-virgem como o mais adequado para a manutenção perfeita de nossa saúde cardíaca.

Bem, preocupados em nos mantermos saudáveis, passamos a consumir o tal azeite com custo muito mais elevado e somos surpreendidos (!) com a descoberta de que a grande maioria dos azeites comercializados no Brasil não são da categoria extra-virgem. Azeites importados da Espanha, Portugal, Argentina. Será que estes países já descobriram que somos o país-do-faz-de-conta? E nós, que pagamos as contas como ficamos?

Fato 2 – Exame PISA para alunos entre 15 e 16 anos, realizado com estudantes de 65 países. O Brasil classificou-se em 55º lugar em Leitura, 58º lugar em Matemática e 59º lugar em Ciências. Bom resultado? Segundo o Ministro da Educação, Sr. Aloísio Mercadante, o resultado mostra uma evolução significativa da Educação brasileira. E nós, que financiamos o governo, acreditamos em quem?

Fato 3 – O Sr. José Dirceu foi convidado a assumir a gerência do Hotel Saint Peter, em Brasília, com salário de R$20.000. Assistindo ao Jornal Nacional de 2 de dezembro de 2013 tomamos conhecimento de que o Hotel pertence ao presidente nacional do PTN (sim, existe!), que é da bancada de apoio ao Governo Federal. Bem, mas não é bem assim. O verdadeiro proprietário é o Sr. Jose E. Silva, panamenho, que é auxiliar em um escritório de advocacia no Panamá e, que é (por acaso) presidente de mais de mil empresas ao redor do mundo. Falcatrua após falcatrua, e a vida segue. Acreditar em quem?

Fato 4 - Duplicação da BR-470. Promessa postergada ano após ano e que no decorrer de 2013 transformou-se em realidade. Os acólitos da (nada santa) presidenta (Eca! Presidente é melhor) e admiradores estavam presentes, palanque montado; discursos entusiásticos sobre o cumprimento da promessa feita ao longo de décadas; assinatura da ordem de serviço para o início das obras; imprensa registra e divulga tudo que ocorreu. Passam-se cinco (5) meses e nada acontece. O IBAMA não tinha liberado a obra! Acreditar em quem?

E, assim caminha o nosso pobre – moralmente falando – país. De conversa em conversa, de reportagem em reportagem, as pessoas de bem ficam assustadas com tamanha desfaçatez, com a enorme capacidade de mentir e desfigurar a verdade que assumem nossos pretensos líderes. Pior, sem perspectivas de que tal quadro venha a melhorar. A projeção de futuro, por qualquer quadro que se desenhe, mostra-nos nuvens carregadas e, se a base educacional de um povo é o que garante seus resultados futuros, temo que estejamos em maus lençóis.

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.