Travessias elevadas: a solução mágica para o trânsito

25 de Novembro de 2013

Penso que estamos vivendo tempos exponenciais. O ritmo da vida moderna, provocado por nós e nossas ansiedades, está criando situações, no mínimo, esdrúxulas. Debates e discussões acontecem e, sem levar em conta suas consequências, tomam-se decisões que futuramente acarretarão sérias consequências.

Recentemente a Câmara Municipal de Joinville aprovou uma lei que permitirá o rebaixamento dos meios fios em toda a extensão da calçada se o imóvel se destinar ao uso comercial. A consequência será transformar as calçadas da “Manchester Catarinense” em estacionamentos para automóveis.

Qual o princípio que norteou o processo de tomada desta decisão? Em que se fundamentaram os senhores edis para argumentar que esta decisão seria oportuna e beneficiaria o povo daquela cidade? Será que algum dos vereadores fez a pergunta de para que existem as cidades? Quem é prioridade quando discutimos o planejamento de uma cidade: o carro ou as pessoas? Esta é a pergunta que tem que ser feita. Todas as ações que percebemos nas nossas cidades têm como visão prioritária o uso do carro; preocupam-se em facilitar a locomoção do automóvel, que as estatísticas teimam em registrar, conduzem quase que em sua totalidade, apenas um ocupante.

Em todas as grandes cidades do mundo a restrição ao uso do automóvel já está consolidada ou em implantação. Transporte de massa e de qualidade, ênfase no uso da bicicleta (vale lembrar que Joinville nos anos 60/70 era conhecida como a “Cidade das Bicicletas”), descentralização das atividades comerciais, bancárias e públicas visando à diminuição da necessidade de deslocamentos. Aqui, na Terra Brasilis, fazemos exatamente o contrário!

Nossas ruas estão atulhadas de veículos; não há mais hora em que se possa transitar com alguma tranquilidade. O governo incentiva a indústria automobilística, pois necessita desesperadamente de arrecadação para sustentar um Estado perdulário e que não oferece nada em troca e, também, para ficar bem com o sindicato dos metalúrgicos, que lhe garante boa base no congresso.

Sobra para nós, os usuários do sistema. Deslocamentos cada vez mais dificultados, soluções arcaicas como as velhas lombadas distribuídas pelas ruas das cidades como solução para ordenamento do trânsito. Ah! Não nos esqueçamos, que agora as lombadas têm um nome mais pomposo: travessia elevada. E, com isto, todos os problemas do trânsito, Brasil afora, estão resolvidos.

Ao invés de aprendermos com os que sabem e fazermos as coisas que têm que ser feitas (por exemplo: alargar as calçadas e permitir ao pedestre maior conforto para a locomoção, fechar algumas ruas e transformá-las em calçadões para que o povo possa usufruir de um espaço de lazer adequado, dificultar o acesso dos carros ao centro das cidades, entre outros) fazemos exatamente o contrário, ou seja, transformamos calçadas em estacionamento. O perdedor, como sempre, é o povo. Desta vez foi Joinville! Boa leitura!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.