Rede de Monitoramento Cidadão de Florianópolis é fundada na capital em solenidade realizada na FIESC

25 de Abril de 2017

A Capital catarinense passa a contar com uma Rede de Monitoramento Cidadão, que vai unir setor produtivo, universidades, mídia e organizações da sociedade civil para discutir a sustentabilidade da cidade. A rede vai acompanhar 137 indicadores relacionados ao desenvolvimento de Florianópolis. Os temas prioritários para a cidade são gestão do saneamento básico, mobilidade e transporte, uso do solo e ordenamento territorial, vulnerabilidade a desastres naturais e mudança do clima, gestão pública moderna, gestão fiscal e conectividade. Essas áreas foram consideradas críticas no Plano de Ação Florianópolis Sustentável, lançado em 2015 pela Prefeitura. A solenidade de fundação da rede aconteceu na última segunda-feira (24/04), na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), com a presença de cerca de 120 pessoas.

"Temos uma caminhada longa pela frente. Vivemos um momento que a gestão pública vive uma crise. A sociedade não acredita mais nos partidos políticos e nos gestores. A Rede está sendo fundada em um momento muito importante do país. Temos que reinventar a cidade, a vida na cidade, e isso é uma missão coletiva, vai depender de cada um nós", declarou a presidente da FloripAmanhã, Anita Pires. “Temos o hábito de terceirizar a culpa, mas Florianópolis não é somente a Prefeitura, só a Câmara Municipal, Florianópolis somos nós”, acrescentou. Com a Rede, segundo Anita Pires, deve-se interromper um ciclo e iniciar um novo tempo na relação da sociedade civil com os gestores públicos, além de promover a ampla participação dos cidadãos. “Os indicadores e pesquisas vão ajudar as entidades na sua atuação com informações concretas. A Rede é uma ferramenta que vai trazer transparência e com isso contribuir também no combate à corrupção”, analisou.

A Rede de Monitoramento Cidadão é uma organização externa e independente que tem como objetivo principal acompanhar o desempenho do município em temas que impactam diretamente na qualidade de vida dos cidadãos. A rede é parte do programa Cidades Emergentes e Sustentáveis, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que contempla também as cidades de Palmas (TO), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Vitória (ES) e Três Lagoas (MS).  Em Florianópolis, o projeto é financiado pelo Fundo Socioambiental da Caixa (FSA/Caixa), e executado pela Baobá – Práticas Sustentáveis, que vem mobilizando a participação social.

Além de monitorar a evolução dos indicadores prioritários, a rede vai acompanhar temas como segurança, educação e saúde, entre outros. Os indicadores serão atualizados no segundo semestre. Como um de seus objetivos é a disseminação de informações, a organização vai criar uma plataforma online com dados sobre todas as cidades participantes, para que os cidadãos possam acompanhar o desempenho de políticas públicas desenvolvidas em diversas áreas mapeadas, por meio da evolução desses indicadores. A Rede de Monitoramento Cidadão realizará ainda uma pesquisa de opinião pública para conhecer a percepção dos habitantes sobre esses temas que impactam a qualidade de vida de Florianópolis.

Entidades participantes (por ordem alfabética)
Associação de Desenvolvimento Comunitário (ADECOM) de Jurerê, Associação de Mulheres de Negócio e Profissionais (BPW) Florianópolis, Associação FloripAmanhã, Conecta Call Center, Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina, Fecomércio, FIESC, Fundação Certi, Instituto Lixo Zero Brasil, Observatório Social de Florianópolis, RIC TV Record, Sapiens Parque, Sinduscon, UFSC e Unisociesc. Outras 14 pessoas físicas também se associaram à Rede.

Metodologia Cidades Emergentes e Sustentáveis
Os indicadores monitorados atualmente pela rede se baseiam na metodologia do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis (CES). A metodologia CES foi criada em 2010 e tem por objetivo ajudar cidades médias e de crescimento acelerado em seus desafios de sustentabilidade, conhecendo suas características, traçando indicadores sobre questões importantes para o seu desenvolvimento, priorizando áreas críticas, elaborando um plano de ação, financiando estudos sobre os temas prioritários e acompanhando a evolução da cidade, por meio de seus indicadores. Até o presente momento, já foi implantada em 71 cidades na América Latina e Caribe.