ARTIGO | Por que devemos ajudar os pequenos negócios durante o surto da COVID-19?

24 de Março de 2020

Por Juliana Del Rosso*

 

Você sabia que, por conta do surto do novo coronavírus, o pagamento DAS-MEI foi prorrogado por seis meses?

A medida, que foi aprovada no dia 18 de Março pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, tem como objetivo minimizar os impactos causados pela pandemia aos pequenos e médios negócios.

A medida para o pagamento, vale salientar, não vale para os tributos de fevereiro, que devem ser pagos normalmente. A partir do próximo mês, o contribuinte poderá fazer o pagamento da sua guia de março até o dia 20 de Outubro de 2020.

Essa é uma das muitas atitudes que foram tomadas com o intuito de auxiliar os pequenos empreendedores. Como bem sabemos, boa parte das pessoas que têm empresas de porte enxuto ou que trabalham como freelancers dependem exclusivamente das vendas e serviços fechados mês após mês.

 

Por que devemos fortalecer as pequenas empresas durante o surto de coronavírus?

Com uma situação que impede a livre circulação de pessoas, obriga os negócios a fecharem as portas e não deixa que os clientes cheguem aos espaços locados por autônomos, o resultado pode ser deveras catastrófico.

Se não entra dinheiro, não há como fazer a manutenção do espaço, pagar aluguéis e contas básicas ou mesmo pagar funcionários. Pequenos negócios dificilmente têm grandes reservas financeiras que permitam com que eles funcionem sem um bom fluxo de consumidores.

Isso não acontece com as grandes empresas, que mesmo fechadas ainda têm grande valor de mercado e, claro, reservas financeiras. Mesmo que haja perda de dinheiro e seja necessário refazer planos, reorganizar metas e afins, é preciso muito para que elas fechem definitivamente as portas.

Como podemos, no momento presente, auxiliar os pequenos empreendedores a manter a sua renda, o bem-estar da sua família e as condições necessárias à manutenção da sanidade mental e da saúde do corpo?

 

Optando pelo pequeno produtor, pela mãe solo, pelo artesão local

Vai ao mercado? Prefira ir aos mercados menores, como os que certamente existem em seu bairro. Quando você compra de uma mercearia, de um hortifruti ou similares, garante que as pessoas que ali trabalham consigam manter os seus serviços.

Nada impede, é claro, que você compre produtos diferenciados em mercados maiores. Mas sempre que possível, por favor, opte por comprar dos pequenos produtores.

 

Pagando a mensalidade dos serviços que costuma consumir

Digamos que você faça aula de dança no estúdio de uma pessoa que mora perto de você. As aulas estão suspensas, uma vez que a situação do COVID-19 nos obriga a praticar o isolamento social.

O que fazer nesses casos? Não pedir de volta o dinheiro investido, uma vez que as aulas foram suspensas por conta de uma pandemia, e, se possível, continuar a pagar o valor de sempre. Quando a situação se normalizar, vocês podem pensar em formas de “compensar” essas aulas.

Lembre-se que, para muitas pessoas, o dinheiro recebido dos alunos é o único pagamento do mês. Sem ele, elas não conseguem pagar as contas de casa, o aluguel e, muitas vezes, nem comprar comida.

 

Divulgue os serviços e os produtos que você compra 

A internet tem sido a nossa melhor amiga nas últimas semanas, por diversas razões: através dela, sabemos mais sobre as decisões que têm sido tomadas pelos governos, verificamos os números do COVID-19 por todo o mundo, ouvimos boas notícias, mantemos contato com amigos e até mesmo assistimos shows ao vivo.

Isso faz com que seja ainda mais importante investir em presença virtual. Se as pequenas empresas e empreendedores que você conhece ainda não fazem isso, converse com eles: um site, mesmo feito com uma plataforma amadora, e canais no Facebook ou Instagram podem garantir algumas boas vendas.

Para ajudá-los mais, você pode, ao fazer uma compra específica, postar fotos e vídeos sobre a sua experiência. Dessa forma, você influencia mais pessoas a buscarem os serviços prestados pelos pequenos.

 

Espalhe a palavra sobre a importância de investir na internet

Muitos negócios podem contar com a internet para vender os seus produtos, mesmo que por encomenda. Pessoas que fazem pães, doces, bolos e salgados, por exemplo, podem anunciar seus serviços e pedir um número determinado de dias para preparo e entrega.

Quem trabalha com outros itens, como roupas, perfumes, sabonetes, cosméticos e afins, pode atuar com o que já tem ou cogitar a possibilidade de fazer tudo de acordo com a demanda do consumidor.

Em tempos como os que vivemos, a adaptação é primordial.

 

 

*Juliana é cientista social, bacharela em artes cênicas e redatora freelancer. Atualmente, produz conteúdo multiplataforma para MeduzaWeb, roteiriza, dirige e atua em uma websérie e escreve para blogs.