Coluna Fabrício Wolff | A Comunicação na Era Odebrecht

18 de Abril de 2017

Um curso de comunicação que seria de muito aproveitamento atualmente deveria versar sobre a arte de se comunicar diante de uma crise. No caso específico, de uma crise política como a que se instalou no país para os investigados da operação lavajato. Vemos todos os dias políticos tentando se explicar pela inclusão de seus nomes na mídia, lembrados que foram pelos delatores da Odebrecht. E, convenhamos, vão de mal a pior.

 

Não é difícil ver políticos utilizarem o mesmo discurso lulístico de que “não sabia de nada”. Ou que estão atônitos, surpresos com a citação de seu nome. Ou que querem que as investigações ocorram da forma mais rápida possível para restar provado que não tem nada a ver com isso. Ou, ainda, todas as falas anteriores juntas.

 

Comunicação não é exatamente o que é, mas o que parece ser. Não importa o que o emissor diz, mas como o receptor da mensagem a recebe. No caso desses políticos mal assessorados na área da comunicação, eles se colocam na vala comum de todos nos outros que disseram a mesma coisa – incluindo aí figurões execrados pela mídia e pela maioria dos brasileiros como Eduardo Cunha, Renan Calheiros, entre outros, que tem a imagem intrinsicamente ligada a falcatruas e corrupção.

 

Algumas vezes, a melhor maneira de dar um passo à frente é dar um passo para trás. Não é difícil notar que, atualmente, ao ter seu nome citado em uma delação da Odebrecht o político está automaticamente colocado à beira de um precipício. Qual é a melhor maneira de comunicar neste momento?  Com toda certeza não é ir para a frente das câmeras ou dos microfones exatamente com o discurso de todos aqueles que, sabidamente, levam vantagens espúrias nos corredores de Brasília.

 

As delações da Odebretch vão mexer – e muito – nas candidaturas e nas chances eleitorais de 2018. Não me canso de repetir: comunicação é arte. Comunicação política é uma arte ainda mais difícil – e, por isso mesmo, para poucos. Senhores, isto não é uma “marolinha”. Enfrentar uma onda de peito aberto pode ser uma decisão acertada em vários momentos ruins da vida pública. Porém enfrentar um tsunami de peito aberto pode ser o caminho mais curto para o suicídio político.