Coluna Ozinil | O Brasil precisa de um norte!

13 de Janeiro de 2017

Desde as últimas eleições presidenciais o Brasil dividiu-se entre o nós e o eles. Propositadamente, desencadeou-se uma campanha do patrão x empregado, negro x branco, cota x sem cota, rico x pobre, com terra x sem terra, coxinha x mortadela. Esta maneira de agir conduziu a uma radicalização só vista entre a renúncia do Presidente Jânio Quadros e a deposição do Presidente João Goulart com todas as consequências que até hoje atingem a nação brasileira.

O ocorrido na última semana nos presídios de Manaus e Roraima trouxe à tona uma avalanche de opiniões que mostram a que ponto chegou à inépcia do Estado e a revolta das pessoas em relação àqueles que cometem os mais variados tipos de crime contra a sociedade constituída. 

A inépcia do Estado é mostrada em todo seu espectro. Desde a entrada de armas, drogas, mulheres dentro dos presídios, até o trânsito de presos com o porte acintoso de armas pelas dependências do que deveria ser uma casa de ressocialização. Sem considerar a superlotação dos presídios. O que mais se observa é o dobro da capacidade projetada e, quando se toma conhecimento que mais da metade dos presos ainda carece de condenação, é de se reportar à falência do poder judiciário, pois é de sua responsabilidade administrar a questão. 
Dentro dos presídios temos a guerra desencadeada pelas facções rivais com as consequências que, não de agora, temos conhecimento. O fato ocorrido nas duas cidades nortistas é recorrente pelo Brasil afora. O que assusta é a barbárie; a forma brutal de ação caracterizando desumanidade total de todos os envolvidos. 

O governo do Amazonas, alegando que os presos assassinados encontravam-se sobre a tutela do Estado, decidiu que suas famílias serão indenizadas. A decisão é correta e legal. Mas, isso ocasionou revolta nas mídias sociais. A razão é fácil de entender.

Hoje, o cidadão correto, que paga seus impostos, produz, que exerce sua cidadania, é vítima da violência que se instalou em todas as cidades brasileiras, sem exceção. Prisioneiro dentro de sua própria casa, acompanha pela televisão, os marginais se tornarem donos das ruas, parques, enfim, de todos os espaços disponíveis cometendo os crimes mais variados. Ninguém mais tem segurança!

O crime é comandado de dentro dos presídios de segurança máxima. Os chefes exercem a gestão há milhares de quilômetros e são muito eficientes, pois chegaram a parar a cidade de São Paulo há alguns anos atrás. Lembram-se?

E o Estado? Como reage? O que faz? O Presidente, em pronunciamento a nação (que se deu após o pronunciamento do Papa Francisco), lamenta o acidente ocorrido em Manaus; seu Ministro da Justiça lança um novo plano de combate ao crime organizado, que provavelmente terá o destino de outros similares. Há cidades, como ocorre em Santa Catarina, que se negam a permitir a construção de presídios, como se a responsabilidade não fosse de todos.

Quem agradece são os carteis internacionais de drogas, que transformam nossos presídios em embaixadas do crime e criam governos paralelos pela omissão do Estado. O país, à deriva, precisa de um norte pois, o cidadão comum está, infelizmente, mais desamparado do que nunca!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.