Coluna Ozinil Martins | Quem perde é o Brasil!

12 de Agosto de 2019

O país vive momento político que beira a esquizofrenia

O maniqueísmo vivido impede que as forças sejam aplicadas para o bem comum e, parece que a eleição não acabou. O nós x eles continua em vigor e a grande imprensa que deveria ser o ponto de equilíbrio do país exime-se deste papel e, assume posições políticas que atropelam seu papel fundamental de informar. Você leu ou viu em algum veículo de comunicação noticiar que o governo encaminhou ao congresso projeto de lei sobre a Liberdade Econômica que vai facilitar a vida do pequeno empresário? Que, o Ministério Da Educação apresentou o plano “Future-se” para o financiamento das universidades com dinheiro privado no desenvolvimento de pesquisas? Que, a Petrobras vendeu parte de sua participação na BR Distribuidora? Que, o governo tem o mais ousado plano de privatização de empresas estatais, entre as quais: ECT e Casa da Moeda? Que, Programa Mais Médicos foi relançado, com salários dignos e a possibilidade dos médicos cubanos que aqui ficaram serem admitidos, desde que façam o revalida? Que, o Ministério da Infraestrutura está realizando, com participação do Exército, programa de revitalização de rodovias com custos muito menores do que os anteriormente praticados? Tudo isso está acontecendo e a grande imprensa omite a informação do público! Não fossem as mídias sociais e tudo ficaria no escuro; importante ressaltar que o descrédito da imprensa passa pelas atitudes tomadas pela mesma. 

Administração Pública e a produtividade

Há vários projetos no congresso nacional que tratam do fim da estabilidade do funcionalismo público. Penso que é necessário, sem paixões, que se analisem as causas que embasam estes projetos que, agora, começam a ser discutidos e ganham força. Nesta semana em matéria veiculada pela Folha de São Paulo há uma informação que serve para alimentar a discussão. No Estado de São Paulo, na rede municipal de ensino, ocorrem mais de 6 mil faltas de professores diariamente; isso representa 10% de faltas do quadro funcional da educação. Se considerar que, em cada turma, existem 20 alunos, significa dizer que 120 mil alunos ficam sem aula todos os dias. Observem bem o tamanho do problema. As justificativas apresentadas para as faltas são as mais variadas e, basicamente ligadas a licenças médicas. O comprometimento da qualidade do ensino passa pela ausência dos professores em sala de aulas porque nem sempre, pela burocracia, é possível substituí-los, restando aos alunos absorverem os prejuízos oriundos das repetidas ausências. Para complicar mais ainda o problema estenda-se a análise para o Brasil como um todo, pois com certeza é recorrente em todos os Estados do país e, para as outras áreas dos governos em geral. Reduzir o tamanho do governo passa pelo aumento da eficiência e da produtividade. Quanto mais gente empregada pelo Estado maior a sua ineficiência!

Fantasma do passado tão presente!

Recentemente, quando operários faziam o conserto de vazamentos na cúpula do Congresso Nacional foram surpreendidos por algo, no mínimo, inusitado. Além de ferramentas, pregos e marmitas, encontraram escritos nas paredes poemas que lá estão desde 1959. O autor, José Silva Guerra, escreveu em uma das mensagens o seguinte: “Se todos os brasileiros fossem dignos de honra e honestidade teríamos um Brasil melhor.” Esta mensagem escrita na cúpula do Congresso em 1959 representa uma dura autocrítica e uma certeza, depois dos escândalos recentes vividos, de que evoluímos muito pouco enquanto cidadãos. Se retrocedermos mais ainda veremos o desabafo, carregado de angústia, de Rui Barbosa quando dizia que sentiríamos vergonha de ser honestos e a pergunta é até quando o país será espoliado por políticos, empresários, aproveitadores em todos os sentidos? Quando a prioridade será o país e seu povo, principalmente, os mais humildes? Quando há de se ter educação de qualidade, saúde e segurança que garantam ao povo um mínimo de cidadania? Respostas que estão nas mãos dos congressistas que, ironicamente ou não, foram colocados lá pelo povo que é a vítima dos desmandos políticos. 
 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.