Coluna Ozinil Martins | Futuro e o Mercado de Trabalho

10 de Fevereiro de 2020

O tema é recorrente em assuntos abordados por mim. A preocupação reside no fato da preparação dos jovens para o mercado de trabalho ser, absolutamente, desconectada da realidade que está sendo construída. Além de existir uma regulação, nas relações de trabalho, que engessam as possibilidades de rapidez no processo de mudança, a má formação educacional torna o processo mais complicado.

Só em janeiro o mercado de trabalho nos Estados Unidos gerou mais de 200 mil postos de trabalho ocupados; nunca foi tão baixo o índice de desemprego naquele país e nunca foi tão alto o aproveitamento de negros, hispânicos entre outras nacionalidades que lá habitam. Importante lembrar que a regulação americana na relação de trabalho tem base no contrato coletivo de trabalho estabelecido entre empresa e sindicato, sem interferência de qualquer órgão estatal. Coisas como FGTS, férias remuneradas, 13º salário, impedimentos para demissão não existem e o percentual de desempregados gira em torno de 3%.

No Brasil, com legislação obsoleta, o percentual de desempregados gira ao redor de 12% e, apesar de mudanças em alguns itens ocorrida no governo Temer, permanecem pontos da legislação que impedem a contratação de empregados pelo medo de assumir compromissos que, posteriormente, não possam ser honrados. Há empresas que mesmo estranguladas em momentos de crise não podem demitir por não ter dinheiro para pagar as indenizações. Portanto, não à toa contabiliza-se no país quase 12 milhões de desempregados.

Para agravar este quadro a educação formal praticada no país forma, cada vez mais, gerações de analfabetos funcionais e de pessoas despreparadas para o mercado de trabalho que, vai exigir habilidades infelizmente não desenvolvidas. O quadro apresentado, de legislação trabalhista com forte viés paternalista mais pessoas não qualificadas acena para um quadro perverso de desemprego e estagnação econômica.

Enquanto isso no Congresso nacional surge rumores de articulações para que volte a cobrança do imposto sindical. Se isso for efetivamente verdadeiro Suas Excelências estarão contribuindo para a volta do sindicalismo amador e que vivia, exclusivamente, do imposto arrecadado para sustentar ações sem causa e sem trazer nenhum benefício aos seus associados.

Em tempos de Inteligência Artificial o congresso deveria estar se perguntado o que fazer para aumentar a qualificação dos brasileiros e em como gerar novos postos de trabalho. Parece que esta intenção não faz parte do ideário dos congressistas. Tem muita gente torcendo para o quanto pior, melhor!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.