Coluna Ozinil Martins | Em breve, a Velha Senhora estará de volta!

02 de Dezembro de 2019

Em 1967 morei por 45 dias em Florianópolis. Era um jovem Aspirante Oficial do Exército brasileiro e cumpria uma etapa para ser reconhecido, efetivamente, como oficial e assumir o posto de 2º Tenente. Formado no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Curitiba (CPOR) vivia um momento especial para um jovem de 20 anos. Naquela época a viagem de Curitiba a Florianópolis era uma aventura; estradas de chão, pontilhões de madeira que davam passagem a um carro por vez, trechos percorridos sobre areias e após quase 10 h de viagem chegava-se a acanhada rodoviária de Florianópolis na Av. Hercílio Luz esquina com a Mauro Ramos.

Após o desembarque, um pequeno deslocamento até o 14º Batalhão de Caçadores, atual 63º Batalhão de Infantaria, local que seria minha moradia pelos próximos dias. O táxi era um Chevrolet dos antigos que era o padrão da época. No batalhão, sempre bem recebido, passei por um aperfeiçoamento prático e aprendi no dia a dia de um quartel o que era ser um oficial. Mas, o que quero relatar refere-se a um período do dia que todos ansiávamos por participar; o final da tarde.

Como éramos um grupo de jovens oficiais cumprindo as mesmas atividades, esperávamos o final do expediente para apanharmos o ônibus e nos dirigirmos até o centro da cidade, provinciana e pacata, onde passaríamos as melhores horas do dia. 

A passagem do ônibus pela ponte Hercílio Luz era, para todos passageiros, um momento de “frisson” inesquecível e, do qual até hoje tenho vívida memória. O piso da ponte era de madeira e a trilha por onde trafegavam os veículos era de travessas de madeiras grossas e longas. O momento de susto era, quando vez por outra, o ônibus acontecia de sair da trilha provocando um barulho característico e provocando um ohhhhhhh! de admiração e susto ao mesmo tempo.

O ponto de descida era na Felipe Schmidt onde nos preparávamos para acompanhar o “footing” de todas as tardes. Calçadas estreitas, carros circulando e nós, jovens
ansiosos, esperando o fechamento do comércio e a passagem, sempre em grupos, das meninas que ali trabalhavam ou que saiam das escolas e ficavam no aguardo do desfile que acontecia todas as tardes. Os dias se sucediam, os encontros fortuitos se repetiam e a vida seguia seu rumo.

Em uma oportunidade, um amigo que fiz na cidade, convidou-me para ir, em um domingo, à praia do Forte; calçamento existia até a penitenciária. A partir deste ponto a rua era à base de areia. Foram três horas de tráfego a bordo de um fusca até chegarmos à praia e nos deparamos com um cenário magnífico, pois absolutamente deserto: não havia um quiosque, um bar, nada além dos dois casais. Hoje apesar de todas as melhorias que foram feitas nas rodovias o tempo gasto de deslocamento é quase que o mesmo. Sinal dos tempos!

Feliz é quem tem o que recordar! A ponte Hercílio Luz, em breve, estará de volta! Depois de quase 30 anos de recuperação, de muito dinheiro dispendido, do suposto enriquecimento de muitas pessoas (vamos acompanhar o resultado das investigações), o símbolo da cidade será, novamente, do povo e com a senhoria que lhe é peculiar. Que resista a tudo e que nos permita escrever sempre sua beleza e história!

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.