Coluna Ozinil Martins | Dia da sobrecarga!

06 de Agosto de 2019

O controle sobre o que gastamos versus o que a Terra oferece com condições de reposição é feito pela ONG Global Footprint Network, que alerta: “o ano está ficando cada vez menor.”

Significa dizer que, cada vez cedo, estamos esgotando os recursos que são usados pela humanidade e diminuindo as condições para que a reposição ocorra. A utilização dos recursos naturais de forma irresponsável compromete a própria existência da humanidade. Nos últimos anos fui algumas vezes ao Equador, especificamente em Manta, capital atuneira do país e, quando visitamos o porto da região os navios que aportavam com cargas enormes de atuns mostravam, aos conscientes, que a reposição não seria possível na mesma intensidade com que ocorria a captura. Os navios equipados com sonares de alta resolução tem uma eficácia efetiva. A luta é desigual! Isto vale para todas as espécies e produtos que consumimos. Imaginem o esforço que é alimentar quase 8 bilhões de pessoas diariamente? Acompanho a discussão sobre o uso de agrotóxicos e penso que qualquer solução natural não resolveria, em médio espaço de tempo, as necessidades de produzir alimentos para alimentar a população existente. Há um dilema a ser resolvido e não será pelo enfoque econômico que encontraremos a solução. Somos parte do problema e da solução; hora de agir porque o tempo não para.

O preço do atraso

Marcelo Madureira, humorista, relata-nos uma estória que mostra o poder da burocracia na América portuguesa. Parece uma estória de humor, mas, infelizmente, é verdadeira. Seu pai, já falecido, deixou um valor financeiro em aplicação para sua mulher, prevendo necessidades futuras. Pelo fato de sua mãe ter avançado na idade o fundo exauriu-se tendo necessidade de novo aporte. A família decidiu vender um dos imóveis e para isso buscou assessoria especializada. Um dos documentos necessários foi o atestado de óbito do seu pai, falecido há 9 anos. A surpresa veio quando foi informado no cartório que o atestado apresentado já estava vencido e que deveria providenciar um novo ao preço de R$1.800,00. Surpresa total para os familiares que compreenderam que no Brasil até depois de morto se é penalizado pelo Estado burocrático e ineficiente. Os brasileiros comuns sofrem penalizações diárias do Estado, gordo e opulento, pela necessidade de sustentar mordomias aos que mais possuem. A vanguarda do atraso mora em Terra Brasilis!

Abertura dos Jogos Pan-Americanos

Peru, país pequeno e com crescimento econômico pujante e constante, é o responsável por sediar os Jogos Pan-Americanos de 2019. Ao assistir a abertura dos jogos fui surpreendido pela simplicidade, beleza e harmonia da apresentação. Sem excesso de tecnologia e privilegiando os aspectos humanos a cerimônia de abertura foi de uma grandeza significativa. Mostrou, a todos que a assistiram, que é possível fazer cerimônias como esta, com baixos valores e sem usar excesso de tecnologia. O momento mais simbólico foi a declamação do poema “Peru” em 49 idiomas que formam a nacionalidade peruana. 

Foi, simplesmente, magnífico! A nacionalidade representada pelas várias nações indígenas que formaram o Estado peruano mostrou a unidade de um povo e o orgulho de pertencer e estar, naquele momento, sediando os jogos mais importantes das Américas. Repito: cerimônia simples e extremamente significativa. Espero que outras nações, aos sediarem competições semelhantes, tenham tanta sensibilidade quanto teve este pequeno país da América do Sul. 

Prof. Ozinil Martins de Souza

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    Possui graduação em Geografia pela Fundação Universitária Regional de Joinville e pós-graduação em Educação pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Tem forte experiência na área de Administração de Recursos Humanos, Negociação Sindical, Consultoria Empresarial e Empreendedorismo e atua na área acadêmica.