Coluna Nerd News | Mais um reboot, Dc Comics?

13 de Maio de 2016

Uma das maiores editoras de quadrinhos de todos os tempos vai recomeçar suas histórias do zero. Mais uma vez. Dona de personagens icônicos como Batman, Superman e Mulher-Maravilha, a DC Comics vem mostrando dificuldade para se adaptar aos novos hábitos dos leitores. E eis que, depois de três tentativas mal sucedidas, surge o DC Rebirth, novo selo editorial que chega às comic stores norte-americanas a partir do fim de maio. Será a solução?

 

Para contextualizar, a primeira tentativa de salvar as vendas de quadrinhos aconteceu em 2011, quando a editora zerou a numeração de títulos que vinham sido publicados a mais de 70 anos. Além de recomeçar as histórias com novas origens para seus personagens, o selo ‘Os Novos 52’ propôs uma roupagem mais atual aos heróis. O resultado foi instantâneo. Vendas alavancadas e um sorriso no rosto dos executivos da DC Comics. O reboot fez com que o ano de 2011 fosse o primeiro a registrar aumento na compra de HQs desde 2007.  O market share da editora subiu para 34%, ultrapassando sua maior rival, Marvel.

 

Mas a felicidade durou menos que um piscar de olhos – do Flash. A DC Comics voltou a se perder editorialmente, com sagas que não empolgaram o público e despencaram a venda de HQs nos EUA. A queda fez com que, apenas três anos depois, a editora anunciasse um novo reboot. Sob o selo editorial DC You (recém chegado ao Brasil como ‘DC & Você’) o recomeço não foi nada promissor. Ao contrário de Os Novos 52, que chegou a dar bons frutos no primeiro ano, a iniciativa começou muito mal.

 

Com histórias que traziam personagens considerados semi-deuses - como Superman, Aquaman, Lanterna Verde e Batman - para situações mundanas, além de personagens dedicados a públicos superespecíficos, a DC You buscava não só aumentar as vendas de quadrinhos junto ao público tradicional, mas também conquistar novos leitores. O resultado foi justamente o contrário: nem um, nem outro. Para se ter uma ideia, a DC registrou apenas uma entre as dez histórias em quadrinhos mais vendidas em 2015. A Marvel, por outro lado, emplacou sete na lista.

 

E a solução encontrada pela editora – adivinha... – foi um novo reboot. Próximo ao que a Sony vem fazendo com o Homem-Aranha nos cinemas, a DC Comics recomeça seu universo pela terceira vez em cinco anos. Anunciado nos primeiros meses de 2016, o DC Rebirth chega às bancas nos Estados Unidos no final de maio com objetivo de ir justamente na direção contrária do que era feito em DC You.

A ideia é ligar as histórias dos quadrinhos com o recém chegado universo expandido da DC Comics nos cinemas. Com isso, o Batman volta a ser Bruce Wayne que conhecemos. Superman volta a ganhar poderes e a utilizar seu tradicional uniforme. Personagens femininas populares como Mulher-Maravilha e Arlequina são praticamente redesenhadas com base nas atrizes Gal Gadot e Margot Robbie. São iscas para tornar o novo fã de super-heróis, que vem dos cinemas, em um leitor de HQs.

Mas, o que é isso? Mais um reboot? Sim. E dessa vez se faz necessário. Assim como tomou a decisão acertada ao criar Os Novos 52 em 2011, a DC Comics precisava de um novo gancho para alavancar as vendas de quadrinhos. E o exemplo não estava tão longe. Bastava olhar a relação entre HQs e o bilionário Universo Cinematográfico da Marvel para compreender como a concorrente atravessava tão bem o período. E é na aposta de dobradinha entre filmes e quadrinhos que a editora volta a sonhar com um futuro brilhante. Estou na torcida e, mais do que isso, acredito que é uma ótima jogada. Só não pode se esquecer do principal ingrediente na hora de criar um novo quadrinho: uma boa história.

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    Marcelo Nunes é Publicitário e pós-graduando em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais. Atuou por três anos com marketing no Grupo RBS e mídias digitais na Agência Gas-br. Agora se dedica a compartilhar um pouco de seu conhecimento sobre o universo geek com os milhares de fãs conquistados com seu canal Nerd News, rede de conteúdo sobre o universo geek que já soma mais de 300 mil seguidores em YouTube, Instagram, Facebook, Twitter e Snapchat ‘OficialNerdNews’.