Coluna Inspiração | QR Code na Televisão

10 de Janeiro de 2020

As “shoppable ads” ou conteúdos compráveis estão ganhando espaço na TV

 

Desde que foi inventado nos anos 90, o QR Code tem sido utilizado para as mais variadas funções na comunicação, sempre com o objetivo de conectar o mundo on e offline.

No Brasil, o primeiro anúncio publicitário a utilizar o QR Code foi criado pela Dentsu para a Fast Shop em 2007, um anúncio no Estadão que levava o consumidor a uma página com mais produtos e ofertas. Mas a tecnologia estava longe de ser popular.
 

 

Além de estarem presente nos impressos, esses códigos começaram a ganhar espaço também nas ações de rua, outdoors, aeroportos, cartões de visita e até mesmo em trabalhos de inclusão, como as etiquetas em braile com QR Code, que auxiliam os deficientes visuais na hora de comprar roupa.
 

Agência Partners – QR Code em calçada portuguesa – Turismo de Portugal Ficou conhecido como um dos primeiros projetos de guerrilha utilizando QR Codes.

 

 

Projeto Sense – Etiquetas trazem, além do braile, QR Codes que podem ser acessados pelo celular.
Assim os deficientes podem saber informações como cor, tamanho, detalhes visuais e instruções de lavagem de forma autônoma.

 

 

Outdoor da Calvin Klein em NY despertou a curiosidade dos consumidores para acessar um conteúdo exclusivo e não “censurado” da marca.

 

 

Mas esses códigos não são exatamente uma novidade. A tecnologia já teve momentos de bons e ruins, muitas vezes considerada uma ferramenta sem muito propósito e comparada a um código de barras tradicional.

Agora, isso mudou impulsionado principalmente pelos chineses, que tem transformado a indústria dos meios de pagamento através do QR Code. Mais de dois terços da população chinesa já adotou esse meio para as transações do dia a dia. Isso aconteceu, pois a ferramenta encontrou um ecossistema perfeito: todos tem celular, a internet é de qualidade e uma grande quantidade de desbancarizados. Lá, é possível pagar sua parte na conta do bar com os amigos pelo celular ou fazer compras em mercados “virtuais”. O QR já é uma realidade para todos. Só nas comemorações do ano novo chinês são mais de U$ 2 Bilhões de dólares transacionados dessa forma.

 

Wechat: No país asiático, os QR Codes se tornaram a forma mais comum de pagar e fazer transferências instantâneas a uma população quase inteira equipada com smartphones.

 

 

Supermercados interativos dominaram as estações de metrô.

 

 

No Brasil, isso também está começando a se tornar realidade. Vemos os grandes bancos na corrida do QR Code: Itaú com ITI, Santander com Way, Safrawallet, Cielo Pay e muitos outros. Além de players como Rappi, Ifood, Green e Yellow que utilizam o código para pagamentos ou até mesmo para desbloquear bicicletas e patinetes.

 

 

 

E o que isso tem a ver com a televisão?
Sem dúvida essa transformação comportamental vai alterar a forma como os consumidores interagem com a TV. Agora é direto da tela para o check-out da loja. Uma mudança no tradicional funil, a mídia está extrapolando seu papel de atrair e se transformando em um canal de vendas direto. Basta apontar o telefone para a TV e comprar na hora! Modelo muito parecido com o e-commerce tradicional que muitas vezes possibilita a compra em 1 click.

 

 

 

 

Isso faz com que a televisão tenha outros KPIs para mensurar os resultados. Além dos impactos, share e outros dados essenciais para uma boa estratégia, agora é possível analisar as interações, leads e conversões. Uma campanha em vídeo poderá se pagar com vendas diretas.

Nos EUA, a NBCU já está fazendo essa integração entre a tela e a compra no celular, possibilitando a compra de produtos que estão ao vivo em um jogo de tênis ou em um programa de entrevistas, fazendo da programação um verdadeiro shopping digital. Para garantir melhores resultados, é recomendado que o QR Code fique na tela por ao menos 30 segundos, sendo ainda mais indicado campanhas de 60” a 90” para garantir tempo de interação ao usuário. Segundo a NBCU, milhões de telespectadores são atingidos simultaneamente pela publicidade em sua programação e até agora se notou uma taxa de conversão 30% maior que no comercio eletrônico tradicional.

 

 

Aqui no Brasil, a Globo é uma das protagonistas nessa interação e programas do jornalismo, esporte e entretenimento já utilizam o código para levar ao site, conteúdos exclusivos ou até mesmo para votações interativas. Muitos anunciantes já estão trabalhando com a ferramenta nas campanhas, porém ainda de forma muito embrionária.

 

Em Santa Catarina, a NSC tem uma campanha no ar do Negócios SC para educar os telespectadores com a nova tecnologia. Uma forma de dar ainda mais velocidade nessa mudança comportamental.

 

Lançamento do Onix no Jornal Nacional. QR Code levava para uma live de apresentação do carro.

 

 

Uma coisa está clara, a TV está rompendo as barreiras de interação com os telespectadores e se tornando uma extensão do celular. Com ofertas exclusivas, conteúdos inéditos ou mensagens criativas, as marcas poderão trazer o seu comércio eletrônico para uma plataforma de alcance insuperável. É uma grande oportunidade para as agências criarem interações das mais variadas formas com os consumidores.

Sabendo que 80% dos telespectadores estão na frente da tela com o celular na mão, essa ferramenta vai fazer parte da nossa rotina de forma mais rápida e natural do que imaginamos. Os conteúdos compráveis estão ai!

Como será a sua próxima interação com a TV?

 

Coluna Inspiração

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    Gustavo Teixeira é formado em Comunicação Social pela FAAP e com especialização em Marketing e Branding pela FGV e ESPM. Iniciou a carreira no universo digital, em portais como UOL e TERRA. Nos últimos 12 anos, atuou no Grupo ABC/Omnicom Group liderando a área de planejamento estratégico da Agência Tudo e Tracylocke Brasil. Atualmente Gustavo lidera a área de planejamento e marketing da NSC Comunicação. É responsável pelo desenvolvimento de novos produtos comerciais e planos de mídia integrados.