Coluna Inovação | Os três C fundamentais para o desenvolvimento da Economia Criativa

07 de Outubro de 2019

Assunto tem se tornado cada vez mais frequente na série de eventos sobre inovação e tecnologia que acontecem em Santa Catarina nos meses de setembro e outubro. Foto: Gabriel Vanini/Floripa Conecta

Amigos leitores do Acontecendo Aqui que se interessam por inovação e tendências: se vocês tiverem um tempo para rodar o estado e entender o que diversas regiões estão fazendo para estimular o cenário local de tecnologia e empreendedorismo digital, recomendo que separem os meses de setembro e outubro do próximo ano para essa empreitada.

É incrível o volume de eventos e encontros de médio e grande porte que acontecem em várias cidades catarinenses nessa época com foco no que chamamos de Nova Economia. Ainda estamos em plena temporada de summits, como vocês podem perceber aqui neste link. A bem da verdade, o bicho pega ao longo do segundo semestre todo, começando pelo Startup Summit e o Floripa Conecta em agosto e encerrando com o RD Summit, em novembro. Mas a concentração de coisas rolando entre setembro e outubro impressiona. E cansa. Além de explicar um pouco a ausência do colunista aqui nas últimas semanas. 

Pois bem, ao rodar por eventos recentemente (e antecipando outros que vão rolar nas próximas semanas) percebi que há uma movimentação interessante acontecendo em várias programações destinadas a inovação e tecnologia: a presença cada vez menos discreta do tema Economia Criativa. 

Quem acompanha a coluna ao longo desses dois anos já se deparou com alguns textos a respeito desse negócio de nome tão sexy mas de conceito tão pouco conhecido e difundido. A questão é que não se explica o que é a Economia Criativa se não houver exemplos práticos rolando. E eles estão: o melhor exemplo factual é o TUM Sound Festival, que começou nesta quarta (02.10) e encerra no domingo em Florianópolis. O projeto tem como objetivo estimular o empreendedorismo entre músicos e artistas, por meio de workshops, papos e outras atividades que ajudem os criativos a se virar nos conceitos econômicos e poderem viver disso. 

Na quinta-feira (03.10), o tema Economia Criativa foi destaque no painel de abertura do Smart City Fórum, versão enxuta do Smart City Expo, evento e feira sobre cidades inteligentes que rola anualmente em Curitiba - em Florianópolis, é a segunda vez que o fórum é realizado. 

Neste painel, que eu tive o prazer de mediar, o público conheceu cases e visões de especialistas que atuam em Minas Gerais, São Paulo, além de iniciativas catarinenses, como o projeto do Comitê para a Democratização da Informática (CPDI-SC) que já impactou mais de 18 mil pessoas em 18 anos, ajudando na inclusão digital de jovens e no desenvolvimento de ações nas comunidades para formar adolescentes para o mercado de trabalho na área de tecnologia. "Parcerias são fundamentais em um ecossistema", resumiu o diretor executivo do Comitê, Heitor Blum San Thiago. 

Sobre o cenário em Belo Horizonte, o consultor de Inovação da Raro Labs Leandro Libério apresentou o Movimento da Nova Economia Mineira, que fundiu entidades como a Federação das Indústrias, Câmara de Dirigentes Lojistas a programas de apoio a startups e eventos como o HackTown, que transforma a pequena cidade de Santa Rita do Sapucaí, o Vale da Eletrônica, em um ambiente de inovação e criatividade durante quatro dias. 

O case catarinense, por sua vez, foi a promoção do Floripa Conecta, que reuniu sob o conceito da Economia Criativa, cerca de 60 eventos voltados para os mais diversos públicos: startups, investidores, varejo, hotelaria e serviços, cultura e comportamento, gastronomia, marketing etc. 

Dito isso tudo, chegamos finalmente aos "três C" fundamentais para a construção de um ambiente de Economia Criativa nas cidades, na visão dos especialistas:

Conexão (ou convivência): Em todos os casos citados pelos painelistas no Smart City Forum, ficou claro que é o poder do relacionamento e da conexão entre pessoas que gera movimentos efetivos que podem fazer a diferença. Um exemplo bem claro em Florianópolis é a necessidade de criar uma via comum de interesses, por exemplo, entre o setor cultural e a turma do setor de tecnologia, que ainda está distante uma da outra. 

Compartilhamento (ou Colaboração, Confiança): Da mesma forma, os grupos distintos precisam compartilhar suas conexões, referências e audiências para construir algo maior, relevante e que faça sentido para a comunidade. Como lembra o diretor técnico do Sebrae/SC, Luc Pinheiro, uma iniciativa como o Floripa Conecta foi possível porque representantes de entidades organizadoras, setor público e privado entenderam que o movimento deveria ser coletivo e que para isso, seria necessário um grau de confiança e responsabilidade conjunto. 

Cultura: "As cidades precisam desenvolver sua cultura própria", ressaltou Marcos Batista, diretor de Inovação do Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul, durante o painel, citando o caso de Gramado, na serra gaúcha. A vocação de regiões como Florianópolis para a tecnologia e o turismo, ele aponta, deveriam ser trabalhos como forte arma de branding para a cidade e, assim, reforçar todo o propósito que cerca a Economia Criativa.  

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br