Coluna Endeavor | Open Innovation: como o engajamento com scale-ups pode acelerar sua estratégia de inovação corporativa

02 de Julho de 2019

Uma iniciativa isolada não forma uma Estratégia de Inovação Corporativa, assim como uma única pincelada não faz um bom quadro.

Toda inovação parte de um objetivo. Antes de falar em Open Innovation 
ou na aproximação da sua empresa com start-ups ou scale-ups,
use esse framework para ter clareza do que espera dessa relação.

 

por Luís Felipe Franco*

 

Em 2007, as cinco maiores produtoras de celulares do mundo (Nokia, Samsung, Motorola, Sony Ericsson e LG) controlavam 90% dos lucros do setor. Foi nesse ano que Steve Jobs subiu ao palco, em uma das apresentações mais memoráveis da história, para lançar o primeiro iPhone. Em 2015, a Apple já gerava sozinha 92% dos lucros globais da indústria.

Não importa o tamanho da empresa: ninguém pode prever e controlar o futuro. O cenário é de VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade), a tecnologia avança rumo à singularidade e o crescimento do mercado já não é mais linear, mas sim exponencial. O denominador comum a todas as projeções futuristas é a incerteza. Mas isso não é motivo para as máquinas pararem. De um lado, as corporações continuam produzindo, vendendo, existindo e gerando lucros. Mas de outro, cada vez mais cadeiras estão surgindo nas corporações para quem está preocupado com o futuro.

Não é para menos. Historicamente, a expectativa de vida das empresas no mundo está diminuindo. Ou seja, entregar valor hoje e, em paralelo, construir o que vai gerar valor no futuro tem sido uma equação cada vez mais difícil, por conta de duas variáveis: velocidade e incerteza.

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Horizontes da Inovação

Nesse cenário, inovação corporativa não é somente uma questão de posicionamento de marca ou atração de talentos, mas sim de sustentabilidade futura. Significa desenvolver uma organização capaz de enxergar diferentes horizontes do presente imediato ao futuro mais singular — como modelo dos três horizontes publicado pela consultoria McKinsey.

Horizonte 1: inovação capaz de melhorar a eficiência do core business atual. Aqui falamos de inovação incremental que melhora a eficiência operacional e maximiza a entrega de valor que já existe hoje.

Horizonte 2: inovação que cria novos negócios internos para, ao longo do tempo, se tornarem novas unidades de negócio. Eles têm potencial de mudar a fonte principal de receita de uma companhia, estendendo as competências atuais para mercados adjacentes.

Horizonte 3: ideias e oportunidades nascentes que podem se tornar engrenagens de crescimento futuras. Elas podem mudar a natureza e as regras de uma indústria, carregando o potencial de serem game-changers — e a incerteza que vem com a disrupção.

Em uma pesquisa lançada pela Innovation Leader, em parceria com a TechStars — que vale muito a leitura! — podemos ver que a maioria das empresas desenha uma estratégia balanceada entre os três horizontes, mas ainda dá maior peso à inovação incremental.

 

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Com o horizonte definido, a próxima decisão a ser tomada é se a inovação acontecerá dentro da empresa ou além das paredes do escritório.

 

Closed innovation contempla as iniciativas de P&D que acontecem exclusivamente com os recursos e capital intelectual da organização. Já o Open Innovation é um guarda-chuva de iniciativas abertas de inovação que conversam com outros players do ecossistema incluindo universidades, cientistas, hubs de inovação, startups e scale-ups.

 

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Ou seja, o ‘como inovar’ é um terreno abrangente, fértil e com resultados já comprovados por um ecossistema em ebulição. Talvez por isso, toda conversa sobre inovação corporativa comece com uma pergunta anterior: por que você quer inovar?

Existem muitas respostas para essa pergunta. Mas nenhuma delas pode ser “não sei”.

Na mesma pesquisa da Innovation Leader, os objetivos das 115 empresas entrevistadas se dividem em:

 

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Flavio Pripas, Corporate Venture Officer na Redpoint eVenture, ex-diretor geral do CUBO e um parceiro de longa data da Endeavor, já perdeu as contas de quantas conversas teve com executivos de grandes corporações investigando os objetivos estratégicos apoiados na necessidade de inovar. Por essa razão, ele desenvolveu um framework que, gentilmente, me permitiu compartilhar neste artigo.

 

Open Innovation Framework

Em geral, há 6 domínios principais que podem representar benefícios para a corporação, encaixados em 2 eixos (interno/externo e longo prazo/curto prazo):

  • Adoção: Implementação de um produto ou serviço oferecido pela startup/scale-up;
  • Promoção: A corporação ganha visibilidade ou determinada reputação por conta da parceria;
  • Vendas: Aumento do número de prospects, leads ou contratos fechados;
  • Novos Negócios: Abertura de novos mercados, desenvolvimento de novas parcerias ou oportunidades estratégicas;
  • Pesquisa e Desenvolvimento (P&D): construção interna de uma nova tecnologia ou componentes de inovação adjacentes ou complementares à solução da corporação;
  • Educação: A parceria gera conhecimento e aprendizado para o time da corporação.

Enquanto Educação e P&D são benefícios internos e de longo prazo, Promoção e Vendas são benefícios externos e de curto prazo. Adoção e Novos Negócios podem representar cada uma das quatro características, dependendo da natureza da relação.

Para usar o esquema, é necessário dar uma nota de 0 a 5 para a contribuição da parceria em cada um dos seis possíveis benefícios, sendo:

0: nenhuma contribuição

5: altíssima contribuição

 

Imagine que uma determinada iniciativa receba a seguinte avaliação:

Adoção – 2

Promoção – 0

Vendas – 0

Novos Negócios – 1

Pesquisa e Desenvolvimento – 1

Educação – 5

O framework terá, portanto, a seguinte formatação:
 

 

O mais interessante desse framework desenvolvido pelo Pripas é que, de forma visual, nós percebemos como uma Estratégia de Inovação Corporativa não é formada por uma única iniciativa. Assim como o esquema acima, se uma organização depender apenas de um programa de aceleração, um hackathon ou uma parceria com universidades, seus resultados serão talvez pouco efetivos para a construção do que será o futuro daquele negócio.

Uma iniciativa isolada não forma uma Estratégia de Inovação Corporativa, assim como uma única pincelada não faz um bom quadro.

Se as necessidades forem variadas, é recomendável sobrepor os gráficos de cada iniciativa interna ou externa para garantir que os investimentos estão sendo realizados de forma diversificada e orientada para os objetivos da organização.
 

 

A Eurofarma, por exemplo, tem trabalhado com diferentes iniciativas para garantir que os objetivos estratégicos de inovação sejam contemplados. Eles começaram com um programa de aceleração, o Eurofarma Synapsis, para se aproximar dos empreendedores e conhecer de perto as scale-ups. A partir daí, estão se organizando para montar o próprio fundo de investimento, focado em Corporate Venture Capital.

 

Já a brMalls, maior operadora de shopping centers do Brasil e outra parceira nossa aqui na Endeavor, além do programa de aceleração brMalls Partners e dos investimentos em start-ups/scale-ups (como exemplo recente o aporte feito na Delivery Center), patrocina também o segmento de varejo no Cubo em São Paulo, ecossistema de inovação e suporte à empreendedores.

 

Aqui na Endeavor, há 20 anos, apoiamos empreendedores de alto impacto a crescerem mais rápido. Por conhecer de perto os desafios que eles vivem, sabemos como as grandes corporações podem acelerar a escala e o crescimento deles por meio de parcerias, contratações ou investimentos. Por isso, temos nos especializado em construir pontes, abrir portas e criar sinergia entre estas empresas por meio do engajamento empresa-empreendedor que pode acontecer de várias formas:

 

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O engajamento empresa-empreendedor é um caminho para atender diversos objetivos de inovação das corporações de forma profunda e abrangente.

Na Endeavor, usamos duas ferramentas: o screening que mapeia e busca as scale-ups que melhor estão resolvendo um determinado problema, conectando esses empreendedores com corporações interessadas; e os programas de aceleração que, por meio de mentorias e conexões, criam pontes que geram negócios em relações ganha-ganha, além de educar ambos os lados para trabalharem de forma mais eficiente e transparente juntos.

Os motivos que levam ao sucesso no relacionamento entre scale-ups e corporações são os mesmos de qualquer relacionamento: uma clareza do que cada um espera da relação. Só assim eles podem, de forma transparente e mutualística, enfrentar os cenários de incerteza que estão logo adiante. Oriundo so site Rndeavor Brasil. Publicado originariamente em 13 de junho de 2019.

*Luís Felipe Franco é gerente de Open Innovation da Endeavor Brasil.

Endeavor

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    A Endeavor é uma das principais organizações de fomento ao empreendedorismo no mundo. Atua na mobilização de organizações públicas e privadas e no compartilhamento de conhecimento prático e de exemplos de empreendedores de alto impacto para fortalecer a cultura empreendedora do país. No Brasil desde 2000, já ajudou a gerar mais de R$ 2 bilhões em receitas anualmente e mais de 20.000 de empregos diretos através de programas de apoio a empreendedores; e a capacitar mais de 2 milhões de brasileiros com programas educacionais presenciais e à distância. http://www.endeavor.org.br