Coluna Ana Lavratti: São os novos tempos. Sem tempo pra repartir. Sem ter com quem partilhar

19 de Agosto de 2019

Imersa em meio digital, o que ainda me fascina é a vida real, convívio ao vivo, presencial

Cerimonial presencial: porque nenhuma tecnologia substitui a empatia

 

Nesta terça-feira, 20 de agosto, a convite do VII Seminário de Egressos PGET/UFSC,

volto pro campus onde um dia aprendi a escrever, em máquina de escrever.

Lotando o lixeiro, afinal cada erro... incidia em sair do zero.

Como zero era a chance de copiar e colar.

Sem control C, sem control V, sem Google onde me abastecer.

 

Então formada, Jornalista, fui estudar em Florença.

E quando a saudade batia... me prostrava a escrever.

Cartas no papel, notícias entre linhas. Na solidão da escrita, amor infinito, manuscrito.

Até que voltei pro Brasil, e já no primeiro emprego, aposentei o dom dos dedos...

Em vez da datilografia, que eu tanto dominava, de repente eu digitava!

Era repórter do DC, primeiro jornal informatizado da América Latina, com tela e teclado sobre a mesa, ambos ligados a um “cérebro” distante, tipo um armário, gigante.

 

Então vieram a internet, microcomputadores, notebooks.

O celular que não passava de um telefone aos poucos virou smartphone.

Vieram as câmeras digitais, as redes sociais.

E as paredes da intimidade ruíram ante a vaidade. De todos, tudo se sabe!

 

De volta pra UFSC, pro Mestrado em 2015, não preciso nem dizer que vi o giz arrefecer.

Carregados no e-mail, no pendrive, nas nuvens,

os conteúdos vivem à mão, pra consulta e interação.

Mas mesmo com pesquisa sobre a mídia digital,

o que ainda me fascina é a vida real, convívio ao vivo, presencial.

Então pela quarta vez nos últimos anos, subi ao palco do Centrosul, convidada pela ABIH-SC para o Cerimonial do maior encontro da hotelaria do Sul do País, Encatho e Exprotel.

Explorando o tema Soluções e Inovações, a programação mostrou dezenas de setores onde a tecnologia já substitui o trabalho braçal, o esforço mental.

Receptivos automatizados, robôs entregando comida no quarto, concierges invisíveis, suscetíveis ao comando da voz, eternamente disponíveis para ajustar a temperatura, abrir as cortinas, fazer ligações, trazer informações.

Até que me chocam os dados do telão!

 

Pesquisas recentes mostram que a melhor memória das crianças que visitam a Disney, concorrendo com brinquedos, personagens e cenários de sonhos, é “os pais presentes, longe do celular”.

E que a grande quantidade de idosos que compram na Amazon por comando de voz, não se dá pela paixão pela tecnologia, mas pela solidão, a vida vazia, e “assim eles têm com quem conversar”.

 

Desde que entrei na UFSC, caloura, em março de 1987, tudo mudou.

E hoje mais coisas vão mudar. E quem não se adaptar vai se apartar.

E todos os dias, a concorrência vai apertar. E não podemos parar.

São novos tempos, e a lei é compartilhar:

sabedoria no drive, trabalho no coworking, talento no colab, carro no Über, patinete, bicicleta.

Só não podemos permitir que nestes novos tempos

falte tempo pra repartir...

ou sobre sentimento, sem ter com quem partilhar.

 

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Cerimonial presencial: porque nenhuma tecnologia substitui a empatia

Ana Lavratti

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    Ana Lavratti é Jornalista e Mestra pela UFSC com pesquisa sobre a Notícia em Meio Digital Online. Multiplataforma, acumula experiência em mídia impressa, eletrônica e assessoria de comunicação. Também é escritora, autora de 3 livros e 3 e-books, e atua como colunista social desde 2014. www.analavratti.com.br / social@analavratti.com.br Curta o Instagram @analavratti