CANNES 18 | P&G não retira apoio a campanha sobre racismo que causou reações

21 de Junho de 2018

O anúncio “The Talk” da P&G causou reações fortes e pessoas ligadas à empresa são as primeiras a admitir isso. Porém, falando no festival Cannes Lions, a atitude adotada foi o contrário de dar um passo atrás, tentando valorizar essa reação como um primeiro passo.

“O (anúncio) é autêntico, criado com ideias dos consumidores e histórias pessoais. Racismo deixa as pessoas desconfortáveis. Nosso objetivo não era fazer uma obra universal que todos concordam com ela. Queríamos iniciar uma conversa, transformar em diálogo, depois entendimento e por fim, mudança”, disse Damon Jones, diretor global de comunicação da P&G. 

“O anúncio foi baixado mais de 5.600 vezes para que as pessoas tivessem uma conversa em volta do preconceito racial. Os Estados Unidos querem se abrir e conversar”, completou Jones.

Com pouco mais de dois minutos e parte da campanha “My Black is Beautiful”, o anúncio chama “A Conversa” fazendo referência a conversa que pais e tutores têm com crianças negras sobre racismo e ódio.

Assista ao filme: 

Teneshia Jackson, fundadora do Egami Group, agência de comunicação especializada em purpose branding (branding com propósito), falou sobre esse assunto em um painel em Cannes Lions, organizado pelo Facebook.

Segundo ela um cliente ligou para o atendimento da empresa e gritou com o colaborador. Grupos de policiais acusaram o vídeo de promover ódio contra a Polícia. Houve também acusações de que a marca estaria se curvando ao politicamente correto e exagerando na mensagem. 

A intenção da P&G é continuar falando sobre o assunto, com um anúncio direcionado para homens negros a ser lançado em breve. E a iniciativa tem tudo para ser global.

“Na Índia, nossa marca de sabão para roupa, Ariel, abordou o assunto do preconceito de gênero e colocou homens lavando sua roupa”, disse Jones.