Cannes Lions | Entrevista com Miriam Shirley, VP de Mídia da Publicis e Jurada da Categoria MEDIA

16 de Junho de 2017

Com mais de 20 anos de experiência nacional e internacional, Miriam Shirley assumiu o posto de VP de Mídia da Publicis em 2015. Na função, comanda uma equipe de 76 pessoas e trabalha com clientes como P&G, Bradesco, Nestlé, Chevrolet, Carrefour e Sanofi. A executiva atuou por oito anos como diretora-geral de Mídia da Ogilvy & Mather, transitando entre o Rio e São Paulo. Antes, foi por seis anos diretora-geral e vice-presidente sênior da Starcom Worldwide na Cidade do México e passou pela Leo Burnett Chicago e a Leo Burnett Brasil. Em sua trajetória, também gerenciou as verbas de mídia de anunciantes como Coca-Cola, GM, Magazine Luiza e GSK.

 

Quantas vezes você participou do Cannes Lions e quais prêmios conquistou no Festival?

Já estive em Cannes três vezes e participei de cases que foram premiados. Não sei dizer quantos.

Qual é a sensação de ser jurada da Categoria MEDIA LIONS?

Ser jurada em Cannes é uma honra e também uma enorme responsabilidade. Ao selecionar as peças mais relevantes do mundo em uma categoria, ajudamos a definir as principais tendências da comunicação e também a reconhecer agências, anunciantes, veículos, produtoras, enfim, todos os players do segmento que vêm desenvolvendo um trabalho de excelência. Como a área de Media é a minha especialidade, me sinto bastante confortável em julgar trabalhos sob essa lente.
 

Qual a sua expectativa sobre a performance do Brasil neste ano ao longo do Festival?

Além de se destacar em categorias onde tradicionalmente já tem uma boa performance, como Print&Publishing, minha expectativa é que o país leve mais trabalhos que conciliem inovação com bons resultados para os clientes. Isso nos permitiria ter um melhor desempenho também em categorias como Innovation, Media e até Titanium.

De 3 anos para cá, o que você destaca como grandes mudanças no Festival e o que será avaliado em MEDIA?

A organização do festival vem atualizando o evento de forma bem-sucedida ao longo dos anos. A Discovery Zone do Innovation Lions, por exemplo, é uma área que reúne startups do mundo todo e que só tende a crescer. Sobre a área de Media, acredito que o principal foco será avaliar como a inovação vêm impactando nos resultados dos clientes. A tecnologia, o advento dos dados, da programática, da capacidade de segmentação máxima possibilitada pela web certamente aparecerão em alguns cases. Mas é importante lembrar que a inovação pode vir em qualquer plataforma, inclusive das chamadas “tradicionais”, como aconteceu com o GP da categoria no ano passado. ("McWhopper")

Qual é o aprendizado que você espera ter com os colegas de seu Júri?

A troca é muito grande e já começou. Os jurados do Brasil têm se encontrado e compartilhado experiências, discutido tendências e avaliado os nossos pontos fortes e fracos. Na minha categoria em especial, terei a chance de conviver com pessoas do mundo todo, com diferentes backgrounds, e poderemos avaliar juntos os cases que ultrapassam fronteiras e impactam igualmente nós todos. É um intercâmbio cultural de valor inestimável.

Cite um grande trabalho da sua agência que vai concorrer Cannes neste ano.

Temos bons cases competindo. Entre eles, The Cliché, que se tornou o filme mais visto de Heineken no mundo todo, Dorflex Music Experience, que juntou a música e a ciência para combater a dor de cabeça, e #EssaSouEu, um case de empoderamento feminino criado para Dermacyd.

Como as agências locais podem se inspirar em Cannes e trazer resultados inovadores aos seus clientes?

É preciso ir com a cabeça aberta, absorver o máximo possível de informação, mas depois adaptar tudo ao nosso mercado.

O que não falta na sua bagagem para Cannes?

O que não falta na minha mala é uma cabeça aberta para entender o contexto de cada país. Não quero julgar com um olhar pessoal. Afinal, o que pode ser normal para a gente – ter quase 1,5 celular por pessoa, por exemplo – pode não ser no contexto de outro país e isso muda toda a maneira de pensar a mídia e a comunicação.